Farias

     

    Análise da macro e da microestrutura de dicionários bilíngues português-alemão / alemão-português

    recebido em 03/01/2010 e aceito em 25/02/2010


    1 Introdução
    2 Parâmetros que devem orientar a concepção de um dicionário bilíngue
    3 Análise dos dicionários bilíngues
    4 Considerações finais

    Notas


    ABSTRACT

    This paper aims at analyzing macro- and microstructural features of Portuguese-German/German-Portuguese bilingual dictionaries. For this purpose, we will discuss the basic parameters that should guide the conception of a bilingual dictionary: the target users, the direction, the function, and the linguistic anisomorphism.


    Keywords:bilingual dictionary; Portuguese; German.

     

    1 Introdução

    Bugueño oferece uma visão geral acerca dos dicionários pertencentes à tradição lexicográfica de língua alemã.[1] O autor, inicialmente, afirma que a consulta a um dicionário de alemão é algo desafiador para um consulente cuja língua materna é o português por duas razões principais. Em primeiro lugar, o espectro de obras lexicográficas de língua alemã é bem mais amplo e complexo do que o de língua portuguesa[2] ou, mesmo, o de língua espanhola.[3] Há genótipos, como o dicionário sintagmático e o dicionário ortográfico, bastante representativos da lexicografia alemã, que não encontram correspondentes nas lexicografias brasileira e hispânica, ou encontram somente correspondentes parciais.[4] Em segundo lugar, a alta densidade e a complexidade das informações contidas na macro e, principalmente, na microestrutura dos dicionários alemães[5]é algo que causa estranheza ao usuário acostumado à consulta de obras lexicográficas brasileiras.

    Haja vista as considerações precedentes, nossa atenção, neste trabalho, volta-se para os dicionários bilíngues, que são as primeiras ferramentas de consulta com as quais se depara o aprendiz de uma língua estrangeira. Nosso objetivo é analisar alguns aspectos macro e microestruturais de três dos dicionários bilíngues português-alemão / alemão-português mais difundidos entre os estudantes brasileiros, quais sejam,[6] SWPD,[7] LaTWPD[8]e MiEPA.[9] Para tanto, far-se-á necessário, antes de mais nada, expor e discutir os parâmetros básicos para a concepção de um dicionário bilíngue.

     

    2 Von der Nachahmung bis zur Transfiguration

    Hartmann; James definem o “dicionário bilíngue” como “um tipo de dicionário que relaciona os vocabulários de duas línguas por meio de equivalentes de tradução”.[10] Os parâmetros que devem nortear a concepção e o desenho de um dicionário deste tipo são, por um lado, a direção (LA à LB / LB à LA), a função (passiva ou ativa) e o usuário (falante nativo da LA ou da LB) e, por outro lado, a anisomorfia entre as línguas envolvidas.


    2.1 Direção e função

    Em um dicionário bilíngue, denomina-se língua de partida (ou língua-fonte) a língua da nomenclatura, e língua de chegada (ou língua-alvo) a língua dos equivalentes de tradução. A direção do dicionário está relacionada com o fato de se tomar a língua materna do usuário como língua de partida ou como língua de chegada. A função, por sua vez, está ligada ao tipo de tarefa que o consulente pretende realizar com o auxílio do dicionário. Assim, pois, o dicionário pode ser passivo (para a decodificação da língua estrangeira) ou ativo (para a codificação em língua estrangeira). O cruzamento das variáveis mencionadas permite determinar a existência de, no mínimo, quatro diferentes dicionários para cada par de línguas.[11] Assim, para um par de línguas, como, por exemplo, o português e o alemão, deveria haver, pelo menos em teoria, as seguintes obras:

    1) Para falantes de língua portuguesa:
    Dicionário A: Alemão-português para decodificação (passivo)
    Dicionário B: Português-alemão para codificação (ativo)

    2) Para falantes de língua alemã:
    Dicionário B’: Português-alemão para decodificação (passivo)
    Dicionário A’: Alemão-português para codificação (ativo) [12]

    A clareza a respeito da direção e da função de um dicionário bilíngue é de fundamental importância para o desenho da macro e da microestrutura. Engelberg; Lemnitzer[13]apresentam uma série de diferenças entre dicionários passivos e ativos:

    1. em dicionários ativos, as equivalências apresentadas em verbetes correspondentes a unidades léxicas polissêmicas devem estar acompanhadas por distinguidores semânticos;
    2. em dicionários ativos, as informações sobre sintaxe, flexão e pronúncia devem ser apresentadas junto às equivalências, ao passo que, em dicionários passivos, as referidas informações devem ser relativas ao signo lema;
    3. em dicionários ativos, regionalismos, arcaísmos e palavras pouco frequentes não precisam estar lematizadas, dado que o consulente, provavelmente, conhecerá unidades léxicas não marcadas, que lhe servirão como ponto de partida para a versão. Por outro lado, em dicionários passivos, tais unidades marcadas diatópica e diacronicamente, bem como em relação à frequência de uso, precisam ser registradas, pois o consulente pode deparar-se com elas em textos na língua estrangeira;
    4. em dicionários ativos, não é necessário registrar flexões verbais irregulares; ao contrário, em dicionários passivos, estas formas irregulares deveriam ser lematizadas;
    5. em dicionários ativos, o registro de internacionalismos é mais importante do que em dicionários passivos;
    6. em dicionários ativos, devem ser registradas colocações e também expressões idiomáticas;
    7. tanto em dicionários ativos como em passivos, o idioma empregado no outside matter, bem como nos desambiguadores utilizados no interior do verbete, deve ser a língua materna do usuário ao qual o dicionário se destina.

     Bugueño; Damim[14] sintetizam a proposta de Engelberg; Lemnitzer,[15] fazendo algumas ressalvas. Em primeiro lugar, Bugueño; Damim[16] acreditam que os regionalismos, os arcaísmos e as palavras pouco frequentes não são relevantes apenas em dicionários ativos dirigidos a iniciantes e que, em dicionários passivos, estas unidades léxicas são úteis se a língua estrangeira cultua clássicos (como é o caso do francês, por exemplo). Os autores também creem que o registro de formas irregulares de verbos é imprescindível somente em dicionários para iniciantes. A maior restrição de Bugueño; Damim [17]em relação à proposta reproduzida acima diz respeito ao registro das expressões idiomáticas ou idioms. Os autores julgam que os idioms não transparentes[18]são fundamentais tanto em dicionários ativos quanto em dicionários passivos. Já os idioms transparentes[19]seriam fundamentais em dicionários ativos e passivos, mas apenas se estes estão dirigidos a iniciantes, já que “o consulente espera que não seja possível correspondência alguma entre as duas línguas”.[20]

    Em suma, um dicionário passivo deve ser macroestruturalmente denso, procurando suprir as deficiências do consulente em nível léxico, ao passo que pode ser microestruturalmente enxuto, já que o consulente não precisa de informações exaustivas sobre sua língua materna. Por outro lado, um dicionário ativo pode ser macroestruturalmente enxuto, devendo, no entanto, ser microestruturalmente denso, a fim de oferecer o maior número possível de informações sobre os equivalentes, ajudando o consulente a produzir na língua estrangeira.[21] Os dicionários bilíngues pertencentes à tradição lexicográfica de língua alemã, em geral, são concebidos tendo em vista estes critérios. Comparemos, a título de ilustração, um verbete retirado da direção português-alemão de LaTWPD – microestruturalmente bastante denso – com verbetes de dicionários de outras tradições lexicográficas:

    gostar [...] (le) v/i.: ~ de gern h., mögen (ac.); gern essen (od. trinken) (ac.); Musik, ein Mädchen usw. lieben; ~ de fazer a/c. et. gern tun; sich freuen et. zu tun; gosto da peça (do quadro) das Stück (das Bild) gefällt mir; gostou? hat es Ihnen gefallen?; v/t. Kosten [...] (LaTWPD)[22]

    gostar v. Gustar. (DSEP)[23]

    gostar, v. i. piacere; avere piacere; gradire; amare; voler bene; v. t. gustare. (DCPI)[24]

     Os equivalentes do verbo português gostar em espanhol e italiano, respectivamente gustar (gustarle algo a alguien) e piacere (piacere qualcosa a qualcuno), comportam-se sintaticamente de forma similar ao verbo gefallen (jemandem etwas gefallen), um dos equivalentes possíveis em alemão, o que pode representar um problema para o aprendiz falante nativo de português que deseja produzir em uma destas línguas. Assim, pois, evidencia-se a importância de informações semânticas e gramaticais fartas na microestrutura de dicionários ativos. Nos verbetes dos dicionários bilíngues português-espanhol e português-italiano que transcrevemos acima, faltam indicações básicas sobre a construção sintática das equivalências oferecidas. Ao contrário, no verbete do dicionário português-alemão, estas informações são abundantes. Resta-nos, contudo, avaliar a funcionalidade de tais informações, tendo em vista, especificamente, as necessidades do estudante brasileiro.


    2.2 Usuário

    A qualidade de um dicionário é comprovada pela funcionalidade das informações apresentadas. Uma informação funcional é a que se caracteriza por ser discreta (constitui um fato de norma) e discriminante (permite ao usuário tirar algum proveito com relação ao uso ou conhecimento da língua).[25] A concepção de um dicionário bilíngue em que todas as informações oferecidas sejam rigorosamente funcionais pressupõe a delimitação do público que se quer atingir, considerando que um dicionário que relacione as línguas portuguesa e alemã, por exemplo, não pode ser o mesmo para falantes nativos do português e do alemão.[26]

    Para efeitos da análise que realizaremos no tópico 3, consideraremos como usuário ideal dos dicionários selecionados o falante nativo de português (com especial ênfase no público brasileiro).[27] Dessa forma, a direção português-alemão do dicionário deveria servir à função ativa, ao passo que a direção alemão-português deveria servir à função passiva.

    É necessário, no entanto, deixar claro desde já que LaTWPD e SWPD não são dicionários pensados especificamente para o público-alvo que definimos neste trabalho. Ambas as obras possuem uma pretensão de bifuncionalidade, embora não o expressem de forma clara.[28] O caráter bifuncional almejado por estes dicionários é inferido pela presença de determinados elementos, como um apêndice gramatical tanto da língua portuguesa quanto da língua alemã e a apresentação do conteúdo e da estrutura da obra em ambas as línguas. A produção de obras bilíngues bifuncionais é, muitas vezes, resultado da parceria entre editoras de dois ou mais países, que têm interesse em que o seu “produto final” possa ser divulgado entre os falantes nativos de ambas as línguas.[29] Um dicionário bifuncional, contudo, é um projeto muito difícil de ser executado, posto que uma obra desse tipo deveria conter um número realmente elevado de informações tanto em nível macro quanto microestrutural em ambas as direções, a fim de converter-se em um auxílio efetivo para os falantes nativos das duas línguas nas funções passiva e ativa concomitantemente. Assim, pois, ainda que ambos os dicionários, à primeira vista, pareçam conter um número considerável de informações macro e microestruturais, os problemas decorrentes da pretensa bifuncionalidade manifestam-se, como veremos a seguir, ora pela ausência de indicações que seriam imprescindíveis, ora pela presença de informações supérfluas.

     

    2.3 Anisomorfismo linguístico

    A linguística contrastiva trata da descrição paralela de duas línguas nos níveis fonológico, morfológico, sintático, léxico e ortográfico, objetivando tornar evidentes as diferenças entre ambas.[30] Esta disciplina lida diretamente com o anisomorfismo, ou seja, o fato de não haver correspondência direta entre determinadas formas e estruturas de duas línguas.[31] O anisomorfismo, embora também possa ser verificado entre línguas com similaridades tipológica (traços característicos) e genética (parentesco etimológico), é mais visível entre línguas que divergem tipológica e geneticamente, como é o caso do português e do alemão.[32]

    A diferença mais óbvia entre o português e o alemão é o fato de que esta última é uma língua declinável. Além disso, é preciso assinalar a tendência da língua alemã à formação de compostos [Komposita], como Staatsangehörigkeitsausweis [comprovante de nacionalidade] e Magenschleimhautentzündung [gastrite]. Além destas particularidades morfossintáticas da língua alemã, ainda é possível mencionar, em nível de sintaxe, as diferenças de regência entre alguns nomes e verbos do alemão e seus equivalentes em língua portuguesa. Citamos como exemplo os verbos alemães helfen e fragen, cujos equivalentes em português são ajudar e perguntar, respectivamente. Se um falante nativo do português deseja traduzir ao alemão uma frase como O homem ajudou a senhora idosa, o primeiro impulso, normalmente, é, por analogia com o português, usar um complemento acusativo para o verbo, produzindo uma oração agramatical: *Der Mann hat die alte Frau geholfen. Na verdade, o complemento exigido pelo verbo helfen é o dativo: Der Mann hat der alten Frau geholfen.

    É, no entanto, no nível do léxico que o anisomorfismo torna-se mais evidente. É relativamente comum, por exemplo, que não haja uma correspondência plena entre designações de duas línguas. Tomemos, como ilustração, o conceito “transportar [algo] de [um lugar] a [outro]”. Enquanto a língua portuguesa possui designações diferentes para expressar a direção do movimento (levar, se o movimento parte do lugar onde está o falante, e trazer, se o movimento tem como finalidade o lugar onde está o falante), a língua alemã possui apenas uma designação (bringen) para expressar o conteúdo conceitual em questão. Fenômeno similar pode ser verificado na expressão do conteúdo sêmico “ingerir um alimento”. A língua portuguesa apresenta apenas o verbo comer, enquanto a língua alemã dispõe dos verbos essen (se a ação de ingerir um alimento é realizada por um ser humano) e fressen (se a ação de ingerir um alimento é realizada por um animal).

    Em síntese, além da definição do usuário, o fenômeno do anisomorfismo e suas implicações diretas na redação de um dicionário bilíngue devem ser seriamente considerados, já que a apresentação de informações efetivamente discretas e discriminantes para o consulente depende, em boa medida, da atenção dada a esse problema.

     

    3 Análise dos dicionários bilíngues

    A macro e a microestrutura são, segundo Hartmann; James,[33] os níveis fundamentais de estruturação de um dicionário.[34] Hausmann; Wiegand postulam que “o conjunto ordenado de todos os lemas do dicionário conforma a macroestrutura”.[35] Partindo dessa noção básica, podem ser considerados como concernentes ao âmbito macroestrutural todas as questões relacionadas com o estabelecimento do núm5ero de unidades léxicas arroladas, com o tipo de unidade registrada e com a sua disposição no dicionário.[36]

    Em Hartmann; James, define-se a microestrutura como “o desenho interno de uma unidade de referência”,[37] sendo “unidade de referência” equivalente ao que conhecemos como verbete. Os autores ainda acrescentam que “a microestrutura fornece informação detalhada sobre a palavra-entrada, com comentários sobre suas propriedades formais e semânticas (ortografia, pronúncia, gramática, definição, uso, etimologia)”.[38] Sendo assim, a definição microestrutural envolve, além da elaboração de um modelo funcional de microestrutura, a fixação de um programa de informações.[39] O programa de informações microestruturais, ou microestrutura abstrata, corresponde à configuração de um conjunto de informações que são passíveis de estar presentes no verbete, segundo uma definição previamente estabelecida do mesmo.[40] No caso de um dicionário bilíngue, a seleção das informações dispostas no interior de cada verbete deve levar em conta os parâmetros discutidos nos tópicos anteriores: a direção, a função, o usuário e o anisomorfismo linguístico.

     

    3.1 A macroestrutura

    No que diz respeito à macroestrutura, avaliaremos os seguintes tópicos:

    1. O registro de tokens: A distinção entre type (invariante ou forma de mais prestígio) e token (variante) manifesta-se nos dicionários sob dois diferentes aspectos: (i) na lematização de formas diassistemicamente marcadas e (ii) na lematização de formas flexionadas / declinadas.[41]
    2. A organização do material léxico: Wiegand apresenta três soluções básicas para o arranjo das entradas nos dicionários de língua: (i) estrutura lisa (ordenação estritamente alfabética, sem sub-entradas), (ii) estrutura de nicho léxico (ordenação alfabética, mas com sub-entradas) e (iii) estrutura de ninho léxico (ordenação com sub-entradas, onde, ademais, há quebra da ordenação estritamente alfabética).[42]

     

    3.1.1 SWPD[43]

    SWPD assume como formas não marcadas diatopicamente o alemão falado na Alemanha e o português peninsular. A preferência do dicionário por estas variedades diatópicas do alemão e do português não é apresentada de maneira explícita no front matter, podendo apenas ser inferida pelo exame de determinados elementos presentes na obra. Por exemplo, na seção intitulada “Conteúdo e estrutura” [“Inhalt und Aufbau”] do front matter, as formas e os significados próprios do português do Brasil e do alemão da Áustria e da Suíça são considerados regionalismos. Além disso, na direção português-alemão, SWPD, na maioria das vezes, não deixa de lematizar as formas do português do Brasil, mas, em vez de oferecer equivalentes em língua alemã, prefere o recurso medioestrutural de reenvio à forma do português europeu, como ocorre nas entradas ato e vedete, a partir das quais se remete às formas portuguesas acto e vedeta. Ainda na direção português-alemão, o dicionário em questão, mesmo que poucas vezes, não registra a variante brasileira, limitando-se a apresentar a forma europeia. Em relação aos pares aids / sida e mouse / rato, por exemplo, SWPD opta por registrar somente as formas peninsulares sida e rato. Em casos como este, seria necessário que o estudante brasileiro conhecesse a designação usada em Portugal para, finalmente, chegar ao equivalente em alemão.[44] No que concerne à macroestrutura no sentido alemão-português, SWPD, ao registrar uma forma austríaca ou suíça, quase sempre opta por apresentar o equivalente em língua portuguesa,[45] como em “blutt adj (schweiz) nu”, “Flugzettel m <-s, -> (österr) panfleto m” e “Melanzani pl (österr) beringelas fpl”. O fato de escolher uma determinada norma para ser privilegiada no dicionário, antes de ser um problema, é algo extremamente importante. As opções feitas por SWPD, aliás, parecem-nos bastante coerentes, considerando que se trata de uma obra realizada em cooperação entre Alemanha e Portugal. Entretanto, o dicionário deveria informar acerca das variedades privilegiadas do português e do alemão de forma clara no front matter, além de procurar manter uma constância na apresentação das unidades léxicas diatopicamente marcadas.
    Com relação aos lexemas marcados diafásico-diastraticamente, SWPD é bastante cauteloso no seu registro. Na direção alemão-português, que, do ponto de vista do estudante brasileiro, serve à função passiva, o dicionário procura registrar apenas unidades léxicas classificadas como coloquiais com uma considerável frequência de uso, com as quais o aprendiz de alemão tem uma alta probabilidade de deparar-se. Alguns exemplos são Kleinkram, Klo, Scheiβe, scheiβegal e scheiβen. O mesmo raciocínio parece ser empregado na direção português-alemão, onde são lematizadas unidades léxicas como merda, puta, puto e tantã. O registro de lexemas marcados diafásico-diastraticamente em um dicionário ativo faz sentido[46] somente em casos como o de SWPD, que está dirigido também a estudantes de níveis mais avançados, pois é preciso que o consulente seja capaz de reconhecer que, muitas vezes, os equivalentes oferecidos serão igualmente marcados.

    O registro de unidades léxicas desusadas ou de baixa frequência não é uma característica de SWPD. Sem embargo, é possível encontrar algumas palavras deste tipo, principalmente na direção português-alemão, tais como matadoiro, sextanista e vassoira. Além disso, o dicionário lematiza também afeção, infetado, infetar e telespetador como variantes brasileiras de afecção, infectado, infectar e telespectador, quando, na verdade, tais unidades léxicas parecem ser pouco usadas, e não marcadas diatopicamente. O registro destas palavras não é pertinente para os usuários que têm o português como língua materna, já que não será por meio delas que acessará a informação desejada para codificação em língua alemã.[47]

    No que concerne às formas flexionadas e declinadas na macroestrutura de SWPD, deve-se destacar não somente a sistematicidade, mas também a pertinência da sua apresentação. O dicionário costuma registrar particípios irregulares, como descrito, reaberto e reescrito, na direção português-alemão, e geflogen e gegangen, na direção alemão-português, formas verbais flexionadas irregulares, como seja, na direção português-alemão, e gab, kam e nahm, na direção alemão-português, superlativos e comparativos irregulares, como fidelíssimo (superlativo de fiel), na direção português-alemão, e besser (comparativo de gut) e beste (superlativo de gut), na direção alemão-português, além de formas pronominais declinadas, como dich, dir, mich e mir, na direção alemão-português. A lematização de tokens como os mencionados acima tem a função exclusiva de auxiliar nas atividades de decodificação, em especial, de aprendizes dos níveis iniciais. Assim sendo, apenas em vista da bifuncionalidade almejada por SWPD, justifica-se a sua inclusão em ambas as direções. Se a direção português-alemão tivesse sido concebida para servir somente à função ativa, o registro de tokens como os citados seria desnecessário.
    A última questão que destacamos com relação à macroestrutura é a organização do material léxico. SWPD opta por uma estrutura lisa, o que favorece o usuário de língua portuguesa, cuja tradição lexicográfica, ao contrário do que ocorre com a tradição lexicográfica germânica, tem como uma das suas principais características a preferência por esse tipo de ordenação. Assim, pois, incluem-se como sub-entradas apenas as unidades fraseológicas. Nesse caso, normalmente, apresenta-se o mesmo fraseologismo em mais de um verbete, a fim de facilitar o acesso do estudante a essa informação. Uma expressão como das Eiweiβ zu Schnee schlagen [bater as claras em neve], por exemplo, pode ser encontrada tanto s.v. Eiweiβ e s.v. Schnee, na direção alemão-português, quanto s.v. clara, na direção português-alemão.

     

    3.1.2 LaTWPD [48]

    No que diz respeito à língua portuguesa, a variedade brasileira ganha uma atenção especial em LaTWPD. Nesse sentido, salienta-se a inclusão de “palavras, expressões e significados de uso exclusivo no Brasil”.[49] São exemplos de brasileirismos encontrados neste dicionário boate, camiseta, chope, escanteio, garoa e perrengue. As cinco unidades léxicas figuram devidamente marcadas e seguidas pelos respectivos equivalentes em língua alemã. Nota-se, nesta obra, um posicionamento mais claro em relação à inclusão de unidades léxicas próprias do português do Brasil, além de uma maior sistematicidade no seu registro e tratamento em comparação com SWPD. Por sua vez, no que concerne à variação diatópica do alemão, LaTWPD não faz nenhuma menção especial no seu front matter, limitando-se a apresentar, na lista de abreviaturas, as marcas öst. [austríaco] e sdd. [regionalismo da Alemanha do Sul]. Ao analisar a nomenclatura do dicionário na direção alemão-português, fica evidente que houve um menor empenho do dicionário no levantamento e registro de formas regionalmente marcadas do alemão em relação ao que ocorre com as formas marcadas do português.

    LaTWPD registra, ainda, uma quantidade impressionante de unidades léxicas pouco usadas ou desusadas. Na direção português-alemão, é possível encontrar lexemas como magrizela, malquistar, manheiro, vindoiro e víneo. Já no sentido português-alemão, destaca-se a inclusão de algumas palavras e acepções marcadas como antiquadas, a exemplo de Er “tu; você”. A lematização de unidades léxicas desusadas ou pouco frequentes, como frisamos anteriormente, não constitui um fato funcional, seja em dicionários ativos, seja em dicionários passivos. Além disso, unidades léxicas marcadas diacronicamente como desusadas ou antiquadas seriam relevantes em uma obra destinada a aprendizes que já tenham atingido um alto grau de proficiência na língua estrangeira, estando, dessa forma, aptos a entrar em contato com qualquer tipo de texto. Este grupo de usuários, no entanto, tem plenas condições de consultar dicionários monolíngues para falantes nativos, não necessitando recorrer a dicionários bilíngues para solucionar dúvidas acerca da significação das palavras.

    LaTWPD, como foi possível constatar, sofre de um “inchaço macroestrutural” em ambas as direções. Entre os dicionários analisados, ele é, efetivamente, o que apresenta o maior número de unidades léxicas lematizadas. São cerca de 85.000 lemas, frente a aproximadamente 63.000 de SWPD e pouco mais de 28.000 de MiEPA.[50] A inclusão em massa de brasileirismos, de unidades desusadas e pouco frequentes, bem como de termos técnicos é a grande responsável por “inchar” as nomenclaturas de LaTWPD. Entendemos que um dicionário para a compreensão deve ser macroestruturalmente denso. Contudo, há determinadas unidades léxicas que, pelas razões que vimos expondo, poderiam ser dispensadas. Assim, pois, com exceção dos lexemas marcados diatopicamente como brasileirismos, cujo registro aproxima a obra dos estudantes brasileiros, poder-se-ia rever a inclusão das unidades léxicas desusadas e de baixa frequência, bem como de parte dos tecnicismos.

    Na contramão do exposto anteriormente, LaTWPD utiliza de parcimônia no registro de lexemas marcados diafásico-diastraticamente. Algumas das poucas unidades léxicas deste tipo são, na direção português-alemão, cocô (marcada como brasileirismo e linguagem infantil) e, na direção alemão-português, Scheiβe e scheiβen (ambas marcadas como vulgares). Salienta-se, ademais, que o dicionário é igualmente bastante parco no registro de formas verbais flexionadas. A exceção são os particípios, sempre e quando possuam ao menos uma significação de adjetivo, como ocorre com “gebunden [...] p.pt. v. binden; adj. fig. comprometido [...]” e “gedacht [...] p.pt. v. denken; adj. imaginário”. Os particípios irregulares gegangen e gekommen, por outro lado, não figuram no dicionário. As formas declinadas, por sua vez, são registradas mais sistematicamente (cf., por exemplo, s.v. dich, s.v. dir, s.v. mich e s.v. mir). Também são registrados comparativos e superlativos, como besser e best, respectivamente.

    Finalmente, a organização do material léxico em LaTWPD é bastante complexa. O dicionário adota uma estrutura de nicho léxico que, embora não rompa com a ordenação estritamente alfabética, pode dificultar muito a vida do consulente cuja língua materna é o português. Além disso, é preciso considerar que alguns verbetes são excessivamente longos. Este é o caso, por exemplo, do verbete encabeçado por entgleiten, que se estende por, aproximadamente, cinco colunas, ou duas páginas e meia do dicionário, o que torna a consulta cansativa até mesmo para um usuário acostumado a este tipo de ordenação. Some-se a isto o fato de que os verbetes de LaTWPD não possuem um layout amigável. É preciso levar em consideração que a apresentação formal ou (tipo)gráfica das informações no dicionário é quase tão importante quanto a sua seleção e organização, posto que é um fator decisivo na determinação da consultabilidade [consultabilité] e da legibilidade [lisibilité] da obra.[51]

    3.1.3 MiEPA [52]

    Dos três dicionários postos sob análise, MiEPA é o único abertamente dirigido a “brasileiros que estudam a língua alemã e se preocupam em falar e escrevê-la corretamente”.[53] Dessa forma, determinados elementos presentes no outside matter já seriam, em princípio, absolutamente dispensáveis. Este é o caso da transcrição fonética do português, que ocupa as páginas XV e XVI do front matter, e da lista de verbos auxiliares, regulares e “irregulares, defectivos ou difíceis em português”, que é apresentada entre as páginas 619 e 629 do back matter. No que diz respeito especificamente à seleção macroestrutural no sentido português-alemão, a delimitação dos brasileiros como o público-alvo do dicionário torna a inclusão de variantes lusitanas um fato não funcional. Neste aspecto, a obra em questão costuma ser coerente. Salvo raras exceções, como cancro, cuja variante no português do Brasil é câncer, há uma tendência à omissão das formas do português peninsular.

    No que diz respeito à variação diatópica da língua alemã, MiEPA parece considerar apenas a variedade falada na Alemanha, já que na lista de abreviaturas sequer aparecem marcas específicas para os regionalismos da Áustria e da Suíça. De forma similar, as palavras desusadas e pouco frequentes parecem não haver sido consideradas na seleção macroestrutural, o que, tendo em vista o exposto nas seções precedentes, é uma decisão bastante acertada.

    Se, por um lado, MiEPA é fechado em relação à diatopia, à diacronia e à baixa frequência de uso, por outro lado, mostra-se bastante mais flexível com relação à diafasia-diastratia. Assim, é possível encontrar, na direção português-alemão, unidades léxicas como cocô, corno, galera “grupo de pessoas”, veado “homossexual” e xixi, e, na direção alemão-português, palavras e expressões idiomáticas como Glotze, klauen, Klo, alles in Butter. O número de unidades léxicas com marcação diafásico-diastrática que o dicionário registra é suficiente para caracterizá-lo, no mínimo, como parcialmente aberto à diafasia-diastratia.

    Em relação às formas flexionadas, MiEPA opta pela lematização, na direção alemão-português, de particípios irregulares (como gewonnen, gewusst e gezogen) e de formas do presente (como liest e mag) e do pretérito irregulares (como glitt, lieβ e sprach). Também são lematizadas formas declinadas, a exemplo de des (genitivo), der (genitivo; dativo) e den (acusativo; dativo), bem como dich e dir. Tais informações cobram ainda mais valor se consideramos que o dicionário em questão destina-se principalmente a iniciantes. Por fim, considerando que a indicação de formas flexionadas e declinadas é importante somente para as atividades de compreensão, é igualmente acertada a decisão de não incluir tais formas na direção português-alemão. MiEPA configura-se, assim, como o dicionário mais enxuto macroestruturalmente entre os três selecionados.

    A última questão que analisamos é a organização do material léxico. Neste aspecto, MiEPA comporta-se de maneira similar a SWPD. Temos, portanto, um dicionário com estrutura lisa, o que equivale a dizer que derivados e compostos não aparecem como sub-entradas e que não há quebra da ordenação estritamente alfabética. No interior dos verbetes, são lematizadas apenas unidades fraseológicas, como in die Öffentlichkeit dringen (s.v. dringen) e der letzte Schrei (s.v. Schrei).

    3.2 A microestrutura

    Em relação à microestrutura, serão enfocados os seguintes problemas:

    1. As equivalências léxicas: Kromann et al. distinguem três tipos de relações de equivalência: plena [full equivalents], parcial [partial equivalents] e nula [non-equivalents].[54] Para Neubert, por sua vez, a correspondência completa entre unidades léxicas de duas línguas distintas é uma ficção.[55] A fim de permitir ao usuário construir hipóteses acerca das relações entre unidades léxicas de duas línguas, o autor propõe que os equivalentes oferecidos no dicionário devem ser padrões lexicais prototípicos cuidadosamente selecionados. O dicionário bilíngue, pois, não teria por objetivo oferecer um equivalente exato, mas apenas uma informação que servisse como ponto de partida para a tradução. A maior objeção que se impõe a esta proposta é que ela seria aplicável apenas em dicionários passivos, jamais em dicionários ativos.[56]

    2. As informações gramaticais: Um falante nativo de português necessitará de informações morfológicas e sintáticas abundantes na direção português-alemão, posto que esta deveria servir-lhe à função ativa.

     

    3.2.1 SWPD[57]

    Em primeiro lugar, ressaltamos que a opção de SWPD por privilegiar o alemão falado na Alemanha e o português peninsular interfere também na microestrutura, em especial, na apresentação dos equivalentes. Para um estudante brasileiro que pretende executar uma tarefa de codificação linguística, encontrar, s.v. bicicleta, na direção português-alemão, apenas o equivalente Fahrrad, e não, por exemplo, a designação Velo, usada na Suíça, não será um grande problema, dado que, em geral, o ensino de alemão como língua estrangeira privilegia a variedade alemã. Entretanto, se o aprendiz brasileiro busca um auxílio para a decodificação, encontrar, s.v. Grasfläche, na direção alemão-português, o equivalente relvado, não terá muita utilidade se ele desconhece a designação usada em Portugal para gramado. Entretanto, em muitos verbetes incluídos na direção alemão-português, SWPD apresenta como equivalentes tanto as formas portuguesas quanto as brasileiras, como em “Miete [...] f <-n> aluguer m; (Wohnungsmiete) renda f; (brasil) aluguel m [...]”.

    Um problema similar à apresentação de designações marcadas diatopicamente como equivalentes, é a apresentação de designações pouco usadas ou desusadas. É possível encontrar alguns casos em SWPD, como, por exemplo, na direção alemão-português, “Eis [...] ~ am Stiel gelado de pau m; (brasil) sorvete de pau m” e “Mischling m <-s, -e> (Tier) raçado [...]”. Tais designações não são úteis para a codificação (se se tem em vista o falante nativo de alemão), e tampouco servem muito para a decodificação (se se considera o falante nativo de português). Analisemos, ainda, o verbete “anstehen vi irreg 1. (warten) esperar pela sua vez, meter-se na bicha [...]”. A segunda expressão oferecida como equivalente tem dois problemas sérios: (a) possui uma frequência de uso muito baixa e (b) é coloquial, enquanto a palavra-entrada possui uma conotação neutra. Como é sabido, a equivalência entre as designações das duas línguas postas em contraste deve dar-se tanto em nível de denotação quanto de conotação. Por fim, para o consulente brasileiro, ainda existe o problema de que tal expressão é própria do português peninsular, o que pode acarretar os inconvenientes antes mencionados.

    Uma das manifestações do anisomorfismo no plano do léxico é a ausência de um equivalente na língua B para uma unidade léxica da língua A. Um exemplo de equivalência nula entre duas línguas são os realia,[58] ou palavras culturalmente restritas [culture-bound words],[59] termos de uma dada língua que designam uma realidade particular de uma cultura. Diante da impossibilidade de se oferecer um equivalente, resta somente a opção de gerar uma paráfrase breve. Esta é a opção metodológica adotada por SWPD, que, muitas vezes, acrescenta ao verbete uma nota explicativa, como no caso de Abitur, na direção alemão-português, e de feijoada, na direção português-alemão. Outras vezes, o dicionário simplesmente substitui o verbete por uma nota explicativa, como s.v. Eiskaffee, na direção alemão-português, e caipirinha, na direção português-alemão.

    Ainda no plano das informações de cunho semântico, convém destacar como um ponto positivo de SWPD a presença massiva de distinguidores semânticos, que servem como auxiliares para a codificação na língua estrangeira, como em “comer [...] I. vt 1. (pessoa) essen; (animal) fressen 2. (palavras) verschlucken 3. (xadrez, damas) schlagen 4. (ferrugem) zerfressen 5. (coloq: enganar) hereinlegen 6. (de raiva) fressen 7. (coloq: sexualmente) vernaschen [...]”.

    Um outro destaque de SWPD é a grande quantidade de informações gramaticais. Nos verbetes relativos aos substantivos na direção alemão-português, são apresentados, sistematicamente, o feminino dos substantivos, além das terminações de nominativo plural, para os substantivos femininos, e do genitivo singular e nominativo plural, para os substantivos masculinos e neutros, como em “Importeur(in) m(f) <-s, -e o –innen> [...]”. Já no caso dos verbos, o dicionário, além da transitividade, do caso que rege e das preposições exigidas, costuma informar também se se trata de um verbo de partícula separável (por exemplo, “an|klopfen vi bater (à porta)”) ou se o particípio não é formado com o prefixo ge- (por exemplo, “animieren* vt animar”). Em todos os casos, as informações gramaticais apresentadas servem para a produção em língua alemã. Entretanto, são oferecidas na direção alemão-português, que, do ponto de vista do estudante brasileiro, serve justamente à função passiva. Na direção português-alemão, que serviria à função ativa, ainda que sejam indicadas sistematicamente determinadas informações que servem para a codificação em língua alemã, tais como as preposições exigidas pelos verbos, muitas outras informações não estão presentes, ou, pelo menos, não são indicadas de forma tão direta. Assim, no verbete “cão [...] m Hund m [...]”, a indicação de gênero que segue o equivalente apresentado é a única informação útil para a codificação. Faltam, no entanto, as indicações do genitivo (Hund(e)s), do plural (Hunde) e do feminino (Hündin, -innen), que só poderão ser recobradas na direção alemão-português. Outro tanto pode ser dito acerca da entrada “ligar [...] II. vi 1. (coloq: telefonar) anrufen (a) [...]”. Neste caso, falta indicar que se trata de um verbo com partícula separável, irregular e construído com complemento acusativo. Como no caso anterior, o usuário vê-se forçado a uma consulta adicional, a fim de angariar as indicações necessárias para a realização de suas tarefas de produção linguística.

    Uma última crítica a SWPD recai sobre o fato de que o mesmo espaço no interior do verbete costuma ser utilizado para oferecer diferentes tipos de informações. Bugueño salienta que a tendência à geração dos chamados “segmentos polifuncionais” é um fenômeno comum nos dicionários monolíngues de alemão,[60] de modo que a sua presença em dicionários bilíngues pode ser atribuída a uma herança da tradição lexicográfica germânica monolíngue. Analisemos o seguinte verbete:

    pena [...] f 1. (Dir) Strafe f; ~ capital / de morte Todesstrafe f; ~ suspensa Bewährungsstrafe f; cumprir uma ~ eine Strafe verbüβen 2. (pesar) Leid nt, Kummer m; (piedade) Mitleid nt; eu tenho / sinto ~ dele er tut mir Leid; tenho muita ~! es tut mir sehr Leid!; é / que ~! (wie) schade!; (isso) não vale a ~ das lohnt sich nicht; é com muita ~ que eu digo isto es tut mir sehr Leid, das sagen zu müssen 3. (de ave) Feder f (SWPD)[61]

     SWPD utiliza o espaço após cada equivalente para a apresentação de expressões idiomáticas, colocações e exemplos.[62] As colocações, em outros verbetes, são apresentadas entre parênteses, aparecendo, dessa forma, no espaço originalmente reservado aos desambiguadores: “desempenhar vt 1. (uma tarefa) ausführen 2. (uma função) ausüben 3. (um papel) spielen [...]”.


    3.2.2 LaTWPD [63]

    LaTWPD também adota como forma não marcada a variedade europeia do português. Esta obra, no entanto, como vimos, dispensa uma atenção especial ao registro de brasileirismos. A mesma atenção, no entanto, não parece ser dada quando se trata da apresentação dos equivalentes. Assim, por exemplo, em “Dachkammer f (-; -n) águas-furtadas f/pl.”, oferece-se como equivalente apenas a designação usada em Portugal. Essa, aliás, é uma prática recorrente em LaTWPD. Some-se a isso o fato de que também é comum encontrar, nesta obra, equivalentes desusados ou de baixa frequência, como “Dachshund m (-es: -e) cão m rasteiro” e “Damenbinde f pano m higiênico; paninho m”. Tais informações, pelas razões já expostas, não são úteis nem em dicionários ativos, nem em dicionários passivos.

    Também é possível encontrar alguns problemas pontuais com relação à apresentação dos equivalentes na direção português-alemão. De acordo com o que se discutiu nas seções precedentes, o anisomorfismo torna-se mais evidente no nível do léxico. A equivalência entre duas línguas, muitas vezes, dá-se apenas de forma parcial. Para a designação noivo(a) em português, por exemplo, o alemão apresenta as designações Verlobte “pessoa que mantém compromisso de casamento com outra” e Bräutigam / Braut “nubente”. LaTWPD, porém, neste caso, não representa esta relação no dicionário. Nos verbetes “noiva [...] f Braut f” e “noivo [...] m Bräutigam m”, oferece-se apenas um equivalente e, ademais, sem nenhum especificador. Considerando que esta obra tende à bifuncionalidade, os verbetes em questão não atendem de forma satisfatória à necessidade do falante nativo de português que deseja produzir em língua alemã, e tampouco é completamente claro para o falante nativo de alemão que deseja decodificar um texto em português.

    Em casos como o de noivo(a), além, é claro, de se apresentar ambos os equivalentes, é imprescindível, em dicionários ativos, oferecer desambiguadores. Os distinguidores semânticos, no entanto, são muito escassos em LaTWPD. Uma das exceções é “bringen [...] (L) (her~) trazer; (hin~; weg~) levar; (begleiten) acompanhar [...]”. Entretanto, a apresentação de especificadores, neste caso, justifica-se somente tendo em vista a bifuncionalidade almejada pela obra. Para as tarefas de compreensão do falante nativo de português, os desambiguadores são dispensáveis, posto que o contexto em que a palavra se encontra cumpre a função destas indicações. Também é possível encontrar alguns distinguidores semânticos em “comer [...] essen, speisen; fressen (Tier); anfressen (Rost) [...]”. Os desambiguadores, contudo, são apresentados em alemão, de modo que não parecem ter sido pensados para auxiliar o falante nativo de português, como seria de se esperar nesta situação.

    LaTWPD é muitas vezes falho na apresentação das informações gramaticais. Na direção alemão-português, indica-se, apenas para os substantivos masculinos e neutros, o genitivo singular e o nominativo plural. Tal informação, por auxiliar nas tarefas de produção, deveria ser apresentada junto aos equivalentes na direção português-alemão. Com relação aos verbos, não há indicações de que possuem partícula separável ou que não formam o particípio com o prefixo ge-, seja junto aos equivalentes na direção português-alemão, seja junto ao signo-lema na direção alemão-português. A informação sintática, por sua vez, restringe-se à indicação da transitividade, que é oferecida junto aos signos-lema. O caso em que deve estar o complemento do verbo é indicado junto aos equivalentes, se há divergência entre as línguas, como em “ajudar [...] helfen (dat.), behilflich sn (dat.); unterstützen (ac.), beistehen (dat.)”.

    Finalmente, de modo similar ao que ocorre em SWPD, o espaço após os equivalentes em LaTWPD é destinado à apresentação de diversos tipos de informação, tais como colocações, idioms e exemplos que ilustram construções sintáticas, como em “alarme [...] m Alarm(vorrichtung f) m; Unruhe f, Aufregung f; falso ~ blinder Alarm m; dar (o sinal de) ~ Alarm blasen, Lärm schlagen; sinal m de ~ Notbremse f”. É, contudo, neste segmento do verbete que o consulente pode recobrar algumas informações importantes para a produção.

     

    3.2.3 MiEPA [64]

    MiEPA não compartilha dos problemas de SWPD e, principalmente, de LaTWPD com relação à apresentação de equivalentes marcados diatopicamente ou com baixa frequência de uso. Entretanto, existem algumas questões pontuais que comprometem a fiabilidade do dicionário e, portanto, merecem ser mencionadas. Para galáxia, na direção português-alemão, MiEPA oferece o equivalente Milchstraβe, que não é completamente adequado. Milchstraβe é a designação alemã para Via Láctea, ao passo que Galaxie é o equivalente mais apropriado em alemão para o português galáxia.

    No que tange à representação de equivalências parciais, MiEPA possui algumas limitações. Tomemos, a título de ilustração, o conteúdo semântico “parte móvel e articulada do corpo humano que fica nas extremidades das mãos e dos pés”. Tal conteúdo semântico corresponde à designação dedo, em português. Entretanto, em alemão, temos duas designações: Finger, se se trata das extremidades das mãos, e Zeh, se se trata das extremidades dos pés. Entretanto, no verbete correspondente a dedo, em MiEPA, apresenta-se apenas o equivalente Finger, o que configura um problema similar ao de LaTWPD s.v. noivo e s.v noiva.

    O tratamento dispensado aos realia em MiEPA, por sua vez, é bastante assistemático. Na direção alemão-português, o dicionário toma decisões acertadas ao oferecer pequenas paráfrases explanatórias em “Abitur [...] Sn, -e exame final do curso médio” e em “Abiturient [...] Sm, -en estudante que está fazendo o Abitur ou acaba de ser aprovado no Abitur”. MiEPA, no entanto, comete equívocos ao tentar oferecer equivalentes em outros casos, como em “Knödel [...] Sm, - almôndega, bolinho cozido”, na direção alemão-português, e em “favela [...] sf Elendsviertel, Barackenviertel” e “feijoada [...] sf Bohneneintopf”, na direção português-alemão.

    O último quesito a ser analisado em relação à apresentação dos equivalentes é o emprego dos distinguidores semânticos. MiEPA não faz uso deste segmento informativo, nem mesmo quando trata de unidades léxicas polissêmicas e / ou de equivalentes parciais, como no verbete “comer [...] vtd 1 essen, verzehren. 2 fressen, abfressen. 3 pop vernaschen”. As marcas diassistêmicas são os únicos “distinguidores semânticos” empregados, como em “tempo [...] sm 1 Zeit 2 Meteor Wetter [...]”.

    Por fim, as informações gramaticais também não são muito abundantes em MiEPA. A única indicação oferecida, no caso dos substantivos alemães, é o plural, que aparece junto ao signo-lema na direção alemão-português, quando deveria constar na direção inversa. Em relação aos verbos, a informação sintática limita-se à indicação da transitividade, que também é oferecida junto aos signos-lema, nunca junto aos equivalentes. O espaço ao final do verbete, por sua vez, de forma bastante similar ao que ocorre nas demais obras, é reservado à apresentação de colocações (por exemplo, “lição [...] tirar uma lição eine Lehre ziehen aus”) e de expressões idiomáticas (por exemplo, “imprensa [...] sf Presse. imprensa marrom Regenbogenpresse”).

     

    4 Considerações finais

    Neste trabalho, procuramos apresentar uma análise ampla (embora sem pretensão de exaustividade) de aspectos macro e microestruturais de alguns dicionários bilíngues português-alemão / alemão-português, tendo em vista a sua relevância para os aprendizes brasileiros de alemão. A análise realizada pode ser sintetizada da seguinte forma:

    1. no que diz respeito às tarefas de decodificação, os três dicionários, apesar das restrições impostas, no caso de SWPD e LaTWPD, principalmente pelo privilégio dado à variante peninsular do português, têm condições de auxiliar os estudantes brasileiros;

    2. no que diz respeito às tarefas de codificação, por outro lado, SWPD, pela quantidade e qualidade das informações microestruturais apresentadas, é o dicionário mais recomendável para os aprendizes brasileiros. LaTWPD não é muito farto em indicações gramaticais, além do que, o seu layout pouco amigável, muitas vezes, dificulta o acesso às informações. MiEPA, por sua vez, devido à escassez de informações microestruturais, é o que está em piores condições. Fica claro que, apesar de ter um público-alvo bem específico, a sua concepção não leva em conta distinções tão básicas como a direção e a função.

     Por fim, é preciso ressaltar que, não obstante os problemas apontados nas três obras analisadas, os estudantes brasileiros de alemão ainda assim contam com ferramentas muito superiores àquelas de que dispõem estudantes de outras línguas.[65]

     

     

    Notas

    [1] Cf. BUGUEÑO, Félix. Panorama da lexicografia alemã. Contingentia, Porto Alegre, v.3, n.2, p.89-110, 2008. (Disponível em:

    http://www.seer.ufrgs.br/-index.php/contingentia/article/view/6508/4241.

    Acesso em: 30.12.2009)

    [2] Para um panorama das obras lexicográficas brasileiras, cf.:
    FINATTO, Maria José B. Da lexicografia brasileira (1813-1991): Tipologia microestrutural de verbetes substantivos. 1993. 333f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre, 1993. p.26-66
    BIDERMAN, Maria Tereza C. A formação e a consolidação da norma lexical e lexicográfica no português do Brasil. In: NUNES, José Horta; PETTER, Margarida (Org.). História do saber lexical e constituição de um léxico brasileiro. São Paulo: Humanitas / FFLCH / USP (p.65-82), 2002.
    BIDERMAN, Maria Tereza C. Um dicionário para o português do Brasil. In: SEABRA, Maria Cândida (Org.). O léxico em estudo. Belo Horizonte: UFMG (p.173-183), 2006.
    WELKER, Herbert Andreas. Breve histórico da metalexicografia no Brasil e dos dicionários gerais brasileiros. Matraga, Rio de Janeiro, v.13, n.19, p.69-84, 2006.

    BUGUEÑO, Félix; FARIAS, Virginia Sita. Panorama crítico dos dicionários escolares brasileiros. Lusorama, Frankfurt am Main, n.77-78, p.29-78, 2009.

    [3] Para um panorama das obras lexicográficas de tradição hispânica, cf.:
    ALVAR EZQUERRA, Manuel. Lexicografía. In: HOLTUS, Günther et al. (Hrsg.). Lexikon der romanistischen Linguistik. Band VI/2. Tübingen: Max Niemeyer (p.636-649), 1992.

    FARIAS, Virginia Sita. Subsidios lexicográficos para la enseñanza de lenguas extranjeras: Qué diccionarios tienen a su disposición los aprendices brasileños de español? Revista Brasileira de Linguística Aplicada, Belo Horizonte, 2010. [em avaliação editorial]

    [4] A Academia Brasileira de Letras (ABL) oferece um instrumento de cunho normativo-prescritivo no que concerne à ortografia, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, cuja edição mais recente, contendo as atualizações do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, data de 2009 (cf. ACADEMIA Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 5.ed. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 2009. [Disponível em: http://www.acade-mia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=19. Acesso em: 15.02.2010]). Entretanto, além de nem sempre proporcionar soluções completamente confiáveis, a obra publicada pela ABL, como salienta Bugueño (cf. BUGUEÑO, Félix. Panorama da lexicografia alemã. Contingentia, Porto Alegre, v.3, n.2, p.89-110, 2008. [Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/-contingentia/article/view/6508/4241. Acesso em: 30.12.2009]), não é muito conhecida pelo público médio e tampouco apresenta semelhanças estruturais com o DuRwtb (cf. DUDEN. Die deutsche Rechtschreibung. 22. Auflage. Mannheim: Dudenverlag, 2000. [1 CD-ROM]).

    [5] Para uma visão geral acerca da microestrutura dos dicionários semasiológicos alemães, cf. BUGUEÑO, Félix. Sobre a microestrutura em dicionários semasiológicos do alemão. Contingentia, Porto Alegre, v.4, n.2, p.60-72, 2009. (Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/contingentia/article/view/-11414/6758. Acesso em: 15.01.2010).

    [6] Seguindo a tendência da metalexicografia europeia, para as citações de dicionários, usaremos abreviaturas (cf. HARTMANN, Reinhard Rudolf Karl. Teaching and Researching Lexicography. London: Longman, 2001. p.11).

    [7] PONS Standardwörterbuch Portugiesisch-Deutsch / Deutsch-Portugiesisch. Stuttgart / Porto: Ernst Klett Verlag / Porto Editora, 2006.

    [8] IRMEN, Friedrich. Langenscheidts Taschenwörterbuch der portugiesischen und deutschen Sprache. 13. Auflage. Berlin / München / Wien / Zürich: Langenscheidt, 1995.

    [9] KELLER, Alfred J. Michaelis Dicionário escolar alemão: alemão-português / português-alemão. São Paulo: Melhoramentos, 2008.

    [10] Tradução de HARTMANN, Reinhard Rudolf Karl; JAMES, Gregory. Dictionary of Lexicography. London: Routledge, 2001. (s.v. bilingual dictionary) [A type of dictionary which relates the vocabularies of two languages together by means of translation equivalents]

    [11] Para uma visão geral acerca da concepção de um dicionário bilíngue, cf.:
    Kromann, Hans-Peder et al. Principles of Bilingual Lexicography. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band III. Berlin/ New York: Walter de Gruyter (p.2711-2728), 1991.
    CARVALHO, Orlene Lúcia de Saboia. Lexicografia bilíngue português-alemão: teoria e aplicação à categoria das preposições. Brasília: Thesaurus, 2001. p.47-58.
    ENGELBERG, Stefan; LEMNITZER, Lothar. Lexikographie und Wörterbuchbenutzung. 2. Auflage. Tübingen: Stauffenburg, 2004. p.105-112. WELKER, Herbert Andreas. Dicionários. Uma pequena introdução à lexicografia. 2.ed. Brasília: Thesaurus, 2004. p.193-214.

    [12] Hausmann (1977 apud Kromann, Hans-Peder et al. Principles of Bilingual Lexicography. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band III. Berlin / New York: Walter de Gruyter (p.2711-2728), 1991. p.2716) discrimina outras duas funções, além da decodificação (tradução) e da codificação (versão): (a) entender uma língua estrangeira sem necessariamente traduzi-la à língua materna e (b) produzir textos em uma língua estrangeira sem partir de um texto na língua materna. Dessa forma, poder-se-ia falar em oito diferentes dicionários para cada par de línguas. Tomando como exemplo o português e o alemão, teríamos, além dos tipos A, B, A’ e B’, outras quatro diferentes obras:
    1) Para falantes do português:
    Dicionário C: Para a compreensão da língua alemã (passivo)
    Dicionário D: Para a produção em língua alemã (ativo)
    2) Para falantes do alemão:
    Dicionário E: Para a compreensão da língua portuguesa (passivo)
    Dicionário F: Para a produção em língua portuguesa (ativo)

    Dicionários concebidos para atender a essas necessidades apresentam características específicas. Um dicionário para a compreensão pode oferecer paráfrases, bem como utilizar ilustrações ou outros sistemas semióticos, preterindo a apresentação de equivalentes. Já um dicionário para a produção, em vez de utilizar a ordenação alfabética, pode lançar mão do princípio onomasiológico de ordenação dos materiais, como em LEA (cf. LONGMAN Group Limited. Longman Essential Activator. 2.ed. Harlow / Essex: Longman, 2006.), dirigido a aprendizes de inglês. Esta obra apresenta, em cada verbete, um campo denominado “palavras relacionadas” [related words], no qual são oferecidos sinônimos, antônimos e outras palavras pertencentes ao universo semântico do signo-lema. Para uma apresentação de dicionários desse tipo, cf. Jackson, Howard. Lexicography. London: Routledge, 2002. p.155-158.

    [13] ENGELBERG, Stefan; LEMNITZER, Lothar. Lexikographie und Wörterbuchbenutzung. 2. Auflage. Tübingen: Stauffenburg, 2004. p.107

    [14] BUGUEÑO, Félix; DAMIM, Cristina Pimentel. Elementos para uma escolha fundamentada de dicionários bilíngues português / inglês. Entrelinhas, São Leopoldo, n.3, 2005. (Disponível em: http://www.entrelinhas.unisinos.br/-index.php?e=3&s=9&a=18. Acesso em: 20.10.2008). p.5

    [15] ENGELBERG, Stefan; LEMNITZER, Lothar. Lexikographie und Wörterbuchbenutzung. 2. Auflage. Tübingen: Stauffenburg, 2004.

    [16] BUGUEÑO, Félix; DAMIM, Cristina Pimentel. Elementos para uma escolha fundamentada de dicionários bilíngues português / inglês. Entrelinhas, São Leopoldo, n.3, 2005. (Disponível em: http://www.entrelinhas.unisinos.br/-index.php?e=3&s=9&a=18. Acesso em: 20.10.2008)

    [17] BUGUEÑO, Félix; DAMIM, Cristina Pimentel. Elementos para uma escolha fundamentada de dicionários bilíngues português / inglês. Entrelinhas, São Leopoldo, n.3, 2005. (Disponível em: http://www.entrelinhas.unisinos.br/-index.php?e=3&s=9&a=18. Acesso em: 20.10.2008)

    [18] Um exemplo de idiom não transparente em alemão é ein heiβes Eisen [um assunto melindroso / um tabu].

    [19] Um exemplo de idiom transparente em alemão é das Eiweiβ zu Schnee schlagen [bater as claras em neve].

    [20] BUGUEÑO, Félix; DAMIM, Cristina Pimentel. Elementos para uma escolha fundamentada de dicionários bilíngues português / inglês. Entrelinhas, São Leopoldo, n.3, 2005. (Disponível em: http://www.entrelinhas.unisinos.br/-index.php?e=3&s=9&a=18. Acesso em: 20.10.2008). p.5

    [21] A esse respeito, cf.: ENGELBERG, Stefan; LEMNITZER, Lothar. Lexikographie und Wörterbuchbenutzung. 2. Auflage. Tübingen: Stauffenburg, 2004. p.107

    BUGUEÑO, Félix; DAMIM, Cristina Pimentel. Elementos para uma escolha fundamentada de dicionários bilíngues português / inglês. Entrelinhas, São Leopoldo, n.3, 2005. (Disponível em: http://www.entrelinhas.unisinos.br/-index.php?e=3&s=9&a=18. Acesso em: 20.10.2008). p.4-5

    [22] IRMEN, Friedrich. Langenscheidts Taschenwörterbuch der portugiesischen und deutschen Sprache. 13. Auflage. Berlin / München / Wien / Zürich: Langenscheidt, 1995.

    [23] DIAZ Y GARCÍA-TALAVERA, Miguel. Dicionário Santillana para estudantes: espanhol-português / português-espanhol. São Paulo: Moderna, 2003.

    [24] Dizionario compatto portoghese-italiano / italiano-portoghese. Bologna / Porto: Zanichelli / Porto Editora, 2006.

    [25] Cf. BUGUEÑO, Félix; FARIAS, Virginia Sita. Informações discretas e discriminantes no artigo léxico. Cadernos de Tradução, Florianópolis, n.18, p.115-135, 2006.

    [26] Cf. BUGUEÑO, Félix; DAMIM, Cristina Pimentel. Elementos para uma escolha fundamentada de dicionários bilíngues português / inglês. Entrelinhas, São Leopoldo, n.3, 2005. (Disponível em: http://www.entrelinhas.unisinos.br/-index.php?e=3&s=9&a=18. Acesso em: 20.10.2008). p.2

    [27] Por ora, restringimo-nos a apontar o público-alvo do dicionário, visto que nosso objetivo é apenas avaliar as obras. Entretanto, a definição do perfil de usuário vai muito além disso. Em conformidade com Hartmann (HARTMANN, Reinhard Rudolf Karl. Teaching and Researching Lexicography. London: Longman, 2001. p.81), a perspectiva do usuário [user perspective] articula-se sobre dois eixos, a saber, as necessidades de informação [reference needs] e as estratégias de busca [reference skills]. A conjunção destes dois fatores possibilitaria a conformação de um perfil de usuário específico para uma dada obra lexicográfica. Para Bergenholtz; Tarp (BERGENHOLTZ, Henning; TARP, Sven. Two opposing theories: On H. E. Wiegand’s recent discovery of lexicographic functions. Hermes, Journal of Linguistics, Aarhus, n.31, p.171-196, 2003. p.172-177), os dicionários são ferramentas utilitárias concebidas para satisfazer necessidades específicas de um grupo específico de usuários com características específicas em situações específicas de uso.
    Para exemplos da definição de perfis de usuários, cf.:

    BUGUEÑO, Félix. A definição do perfil de usuário e a função da obra lexicográfica em um dicionário de aprendizes. Expressão, Santa Maria, v.11, n.2, p.89-101, 2007b.

    FARIAS, Virginia Sita. Desenho de um dicionário escolar de língua portuguesa. 2009. 285 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre, 2009a. p.42-53

    [28] Para uma análise completa de SWPD, cf. FARIAS, Virginia Sita. Resenha: PONS Standardwörterbuch Portugiesisch-Deutsch / Deutsch-Portugiesisch. Stuttgart / Porto: Ernst Klett Verlag / Porto Editora, 2006. Contingentia, Porto Alegre, v.4, n.1, p.119-124, 2009b. (Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/-index.php/-contingentia/article/view/7560/5044. Acesso em: 30.05.2009).

    [29] Cf. ENGELBERG, Stefan; LEMNITZER, Lothar. Lexikographie und Wörterbuchbenutzung. 2. Auflage. Tübingen: Stauffenburg, 2004. p.110

    [30] Sobre os problemas da linguística contrastiva, cf.:
    BUβMANN, Hadumod. Lexikon der Sprachwissenschaft. Stuttgart: Alfred Kröner, 1983. (s.v. Kontrastive Sprachwissenschaft).HARTMANN, Reinhard Rudolf Karl. Contrastive Linguistics and Bilingual Lexicography. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band III. Berlin / New York: Walter de Gruyter (2854-2859), 1991.

    [31] Acerca do fenômeno do anisomorfismo linguístico, cf.:
    ZGUSTA, Ladislav. Manual of Lexicography. Prague / Paris: Academia / Mouton, 1971. p.294-297.MERZAGORA, Giovanna Massariello. La lessicografia. Bologna: Zanichelli, 1987. p.98-99. KROMANN, Hans-Peder et al. Principles of Bilingual Lexicography. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band III. Berlin/ New York: Walter de Gruyter (p.2711-2728), 1991. p.2716-2718. SZENDE, Thomas. Problèmes d’équivalence dans les dictionnaires bilingues. In: Béjoint, Henri; Thoiron, Philippe (Orgs.). Les dictionnaires bilingues. Louvain-la-Nouve: Ducolot (p.111-126), 1996.

    [32] Sobre as classificações tipológica e genética das línguas, cf. CRYSTAL, David. The Cambridge Encyclopedia of Language. 2.ed. Cambridge: CUP, 1997. p. 295

    [33] HARTMANN, Reinhard Rudolf Karl; JAMES, Gregory. Dictionary of Lexicography. London: Routledge, 2001. (s.v. structure)

    [34] O dicionário possui ainda outros componentes estruturais, a saber, a medioestrutura (sistema de remissões entre as diferentes partes do dicionário) e o outside matter, que se subdivide em front (material que antecede as nomenclaturas principais), middle (material interpolado na microestrutura) e back matter (material localizado após as nomenclaturas principais).

    [35]  Tradução de HAUSMANN, Franz Josef; WIEGAND, Herbert Ernst. Component Parts and Structures of General Monolingual Dictionaries: A survey. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band I. Berlin / New York: Walter de Gruyter (p.328-360), 1989. p.328 [the ordered set of all lemmata of the dictionary forms the macrostructure]

    [36] A respeito da macroestrutura de dicionários de língua, cf.:
    HARTMANN, Reinhard Rudolf Karl. Teaching and Researching Lexicography. London: Longman, 2001. p.64. LANDAU, Sidney. Dictionaries. The art and craft of lexicography. 2.ed. Cambridge: CUP, 2001. p.99ss. BUGUEÑO, Félix. O que é macroestrutura no dicionário de língua? In: ISQUERDO, Aparecida Negri; ALVES, Ieda Maria (Org.). As ciências do léxico: Lexicologia, Lexicografia e Terminologia. Campo Grande: Humanitas (p.261-272), 2007a. FARIAS, Virginia Sita. Dicionários escolares de língua portuguesa: uma breve análise de aspectos macroestruturais. Lusorama, Frankfurt am Main, n.71-72, p.160-206, 2007. BUGUEÑO, Félix; FARIAS, Virginia Sita. Desenho da macroestrutura de um dicionário escolar de língua portuguesa. In: BEVILACQUA, Cleci; HUMBLÉ, Philippe; XATARA, Cláudia (Org.). Lexicografia Pedagógica: Pesquisas e perspectivas. Florianópolis: UFSC / NUT (p.129-167), 2008. (Disponível em: http://www.cilp.ufsc.br/LEXICOPED.pdf. Acesso em: 25.10.2009)

    [37] Tradução de HARTMANN, Reinhard Rudolf Karl; JAMES, Gregory. Dictionary of Lexicography. London: Routledge, 2001. (s.v. microstructure) [The internal design of a reference unit]

    [38] Tradução de HARTMANN, Reinhard Rudolf Karl; JAMES, Gregory. Dictionary of Lexicography. London: Routledge, 2001. (s.v. microstructure) [the microstructure provides detailed information about the headword, with comments on its formal and semantic properties (spelling, pronuciation, grammar, definition, usage, etymology)]

    [39] A respeito da microestrutura de dicionários de língua, cf.:
    WIEGAND, Herbert Ernst. Der Begriff der Mikrostruktur: Geschichte, Probleme, Perspektiven. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band I. Berlin / New York: Walter de Gruyter (p.409-462), 1989b. WIEGAND, Herbert Ernst. Arten von Mikrostrukturen im allgemeinen einsprachigen Wörterbuch. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band I. Berlin / New York: Walter de Gruyter (p.462-501), 1989c. HARTMANN, Reinhard Rudolf Karl. Teaching and Researching Lexicography. London: Longman, 2001. p.64-65. SCHLAEFER, Michael. Lexikologie und Lexikography. Eine Einführung am Beispiel deutscher Wörterbücher. Berlin: Erich Schmidt Verlag, 2002. p.84-88. BUGUEÑO, Félix; FARIAS, Virginia Sita. Informações discretas e discriminantes no artigo léxico. Cadernos de Tradução, Florianópolis, n.18, p.115-135, 2006.

    [40] Cf. HAUSMANN, Franz Josef; WIEGAND, Herbert Ernst. Component Parts and Structures of General Monolingual Dictionaries: A survey. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band I. Berlin / New York: Walter de Gruyter (p.328-360), 1989. p.340-349

    [41] Cf. FARIAS, Virginia Sita. Desenho de um dicionário escolar de língua portuguesa. 2009. 285 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre, 2009a. p.102-105

    [42] Cf. WIEGAND, Herbert Ernst. Aspekte der Makrostruktur im allgemeinen einsprachigen Wörterbuch: alphabetische Anordungsformen und ihre Probleme. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band I. Berlin / New York: Walter de Gruyter (p.371-409), 1989a. p.383

    [43] PONS Standardwörterbuch Portugiesisch-Deutsch / Deutsch-Portugiesisch. Stuttgart / Porto: Ernst Klett Verlag / Porto Editora, 2006.

    [44]  Limitamo-nos, nesta ocasião, à análise das obras tendo em vista, especificamente, o estudante brasileiro que as consulta. Entretanto, não podemos deixar de observar que, sendo SWPD uma obra que aspira à bifuncionalidade, a omissão de brasileirismos na nomenclatura no sentido português-alemão não é uma decisão completamente acertada. Considerando a importância da variedade brasileira do português (cf. MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. Ensaios para uma sócio-história do português brasileiro. 2.ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.), é bastante provável que os falantes nativos de alemão acabem se deparando com brasileirismos.

    [45] Uma das exceções é “Bettanzug m <-(e)s, -züge> (schweiz) s. Bettbezug”.

    [46] O registro de unidades léxicas marcadas diafásico-diastraticamente com alta frequência de uso na direção português-alemão também pode ser justificado em vista do caráter bifuncional atribuído à obra. Para o falante nativo de alemão, esta direção do dicionário deve servir à função passiva.

    [47] De forma similar, se se tem em vista que se trata de uma obra bifuncional, a utilidade de tais informações será muito restrita para as tarefas de decodificação dos falantes nativos de alemão, já que é pouco provável que estes encontrem uma das variantes citadas em textos de língua portuguesa.

    [48] IRMEN, Friedrich. Langenscheidts Taschenwörterbuch der portugiesischen und deutschen Sprache. 13. Auflage. Berlin / München / Wien / Zürich: Langenscheidt, 1995.

    [49] IRMEN, Friedrich. Langenscheidts Taschenwörterbuch der portugiesischen und deutschen Sprache. 13. Auflage. Berlin / München / Wien / Zürich: Langenscheidt, 1995. p.6

    [50] Observamos que os dados referidos são informados na contracapa dos respectivos dicionários.

    [51] Cf. BRAY, Laurent. Consultabilité et lisibilité du dictionnaire: aspects formels. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band I. Berlin / New York: Walter de Gruyter (p.135-146), 1989.

    [52] KELLER, Alfred J. Michaelis Dicionário escolar alemão: alemão-português / português-alemão. São Paulo: Melhoramentos, 2008.

    [53] KELLER, Alfred J. Michaelis Dicionário escolar alemão: alemão-português / português-alemão. São Paulo: Melhoramentos, 2008. p.VII

    [54] Cf. KROMANN, Hans-Peder et al. Principles of Bilingual Lexicography. In: HAUSMANN, Franz Josef et al. (Hrsgn.). Wörterbücher, dictionaries, dictionnaires. Ein internationales Handbuch zur Lexikographie. Band III. Berlin/ New York: Walter de Gruyter (p.2711-2728), 1991. p.2717-2718

    [55] Cf. NEUBERT, Albrecht. Fact and Fiction of the Bilingual Dictionary. In: EURALEX International Congress on Lexicography, 4, 1990. Euralex’90 Proceedings. Barcelona: Bibliograf (29-42), 1990.

    [56] Para outras questões acerca da apresentação dos equivalentes léxicos, cf.:
    HAENSCH, Günther et al. La lexicografía: de la lingüística teórica a la lexicografía práctica. Madrid: Gredos, 1982. p.285-294. WERNER, Reinhold; CHUCHUY, Claudio. ¿Qué son los equivalentes en el diccionario bilingüe? In: WOTJAK, Gerd (Ed.). Estudios de lexicología y metalexicografía del español actual. Tübingen: Max Niemeyer (99-107), 1992. SZENDE, Thomas. Problèmes d’équivalence dans les dictionnaires bilingues. In: Béjoint, Henri; Thoiron, Philippe (Orgs.). Les dictionnaires bilingues. Louvain-la-Nouve: Ducolot (p.111-126), 1996.

    [57] PONS Standardwörterbuch Portugiesisch-Deutsch / Deutsch-Portugiesisch. Stuttgart / Porto: Ernst Klett Verlag / Porto Editora, 2006.

    [58] Cf. DUBOIS, Jean et al. Dictionnaire de linguistique et des sciences du langage. Paris: Larousse, 1999. (s.v. realia)

    [59] Cf. ZGUSTA, Ladislav. Manual of Lexicography. Prague / Paris: Academia / Mouton, 1971. p.294

    [60] Cf. BUGUEÑO, Félix. Sobre a microestrutura em dicionários semasiológicos do alemão. Contingentia, Porto Alegre, v.4, n.2, p.60-72, 2009. (Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/contingentia/article/view/-11414/6758. Acesso em: 15.01.2010).

    [61] PONS Standardwörterbuch Portugiesisch-Deutsch / Deutsch-Portugiesisch. Stuttgart / Porto: Ernst Klett Verlag / Porto Editora, 2006.

    [62] Muitas vezes as indicações de idioms e colocações confundem-se com os exemplos propriamente tais. Alguns autores consideram como exemplos sintagmas como pena de morte e cumprir uma pena, respectivamente, uma expressão idiomática e uma colocação. A esse respeito, cf.: HUMBLÉ, Philippe. Examples in bilingual dictionaries. In: AILA Conference, 1996. AILA Conference Proceedings. Yyvaskula: s.n., 1996. (Disponível em: http://www.pget.-ufsc.br/publicacoes/professores. Acesso em: 08.09.2006)

    GARRIGA ESCRIBANO, Cecilio. Los ejemplos en los diccionarios didácticos del español. In: AYALA CASTRO, Marta (Coord.). Diccionarios y enseñanza. Alcalá de Henares: Servicio de Publicaciones de la Universidad de Alcalá de Henares (p.127-149), 2001.

    [63] IRMEN, Friedrich. Langenscheidts Taschenwörterbuch der portugiesischen und deutschen Sprache. 13. Auflage. Berlin / München / Wien / Zürich: Langenscheidt, 1995.

    [64]  KELLER, Alfred J. Michaelis Dicionário escolar alemão: alemão-português/ português-alemão. São Paulo: Melhoramentos, 2008.

    [65] Para uma análise de dicionários bilíngues português-inglês, cf.: SELISTRE, Isabel Cristina Tedesco; BUGUEÑO, Félix. O comentário de forma em dicionários bilíngues escolares passivos inglês / português. Polifonia, Cuiabá, n.15, p.15-36, 2008. Para uma análise de dicionários bilíngues português-espanhol, cf.: BUGUEÑO, Félix. Reseña a: Pereira, Helena B. C.; Signer, Rena. Dicionário Michaelis: espanhol-português / português-espanhol. São Paulo: Companhia Melhoramentos / Publifolha, 1998. Anuario Brasileño de Estudios Hispánicos, São Paulo, n.10, p.325-330, 2000. FARIAS, Virginia Sita. Análise de alguns aspectos microestruturais em quatro dicionários bilíngues espanhol-português / português-espanhol. Anuario Brasileño de Estudios Hispánicos, São Paulo, 2009c. [em avaliação editorial]

     

     

     

    Virginia Sita Farias, Mestre em Lexicografia e Terminologia: Relações Textuais – UFRGS – Av. Bento Gonçalves, 9500. Cep 91540-000 Bairro Agronomia - Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: virginiafarias@terra.com.br



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