v. 2, n. 2 (2006)

Linguística/Literatura e Identidade

É bem verdade que o início do século 20 representa uma ruptura com o modelo ideológico clássico, razão por que, entre 1927 e 50, com o avanço dos nacionalismos, a questão da identidade nacional – e ela comporta uma identidade política e cultural – termina ocupando um espaço significativo. Após, esboça-se uma espécie de vazio absoluto em torno da questão. Entretanto, nas últimas décadas do século a pergunta “quem somos?” volta ao cenário das preocupações e de forma enfática, ocupando, dentro da comunidade cultural – porque a comunidade cultural é, sobretudo, resistência da identidade – um tom enfático. Evidentemente que a questão está ligada a todas as transformações por que passou o mundo no final do século: a queda do muro de Berlim (que terminou se transformando num acontecimento mítico), a quebra de barreiras econômicas ao Leste Europeu, a abertura da China para o capital estrangeiro, a queda da hegemonia russa, a ascensão da hegemonia norte-americana, a formação de blocos supranacionais, o avanço das comunicações, a mal definida pós-modernidade, a hegemonia da globalização, o multiculturalismo... Se tomarmos os dois últimos acontecimentos e seu real significado, sobretudo o multiculturalismo que nada mais é do que um “diálogo monológico” voltado para a imposição cultural, para um novo Imperialismo, poderemos entender o retorno e a importância da pergunta “quem somos?” no nosso tempo. Aí, é preciso considerar que a relação entre culturas diferentes nem sempre se dá de forma pacífica. É o que as manifestações vêm mostrar. Ainda que pertencente à identidade do Mesmo, o Outro, mesmo que com promessas de felicidade geral, continua sendo o Outro. Assim, a questão da identidade termina ocupando textos dos mais diversos estatutos e é do que a CONEXÃO LETRAS, revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em seu segundo número, se ocupa. 

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