v. 10, n. 13 (2015)

Intérpretes do Brasil

O Brasil existe como um estado-nação há pouco menos de duzentos anos, se considerarmos como marco zero a ascensão do Estado do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves, por ordem do Príncipe Regente Dom João, em 16 de dezembro de 1815. Entretanto, as origens da imaginação de uma identidade brasileira remontam à transição da Idade Média para a Idade Moderna, mais precisamente à célebre Carta de Pero Vaz de Caminha (1500), em que o escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral dá notícia ao rei D. Manuel I sobre uma terra “de muito bons ares (...) em tal maneira (...) graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”. A Carta institui os fundamentos de uma persistente visão edênica do vasto território que viria a ser denominado Brasil, brilhantemente estudada por Sérgio Buarque de Holanda em Visão do paraíso. Antes mesmo de determinadas suas fronteiras geográficas e definido seu status legal, o Brasil é configurado simbolicamente nas narrativas com que os europeus, viajantes à terra brasilis ou observadores de segunda mão, vão inventando essa nova e excepcional entidade ultra equinotialem: More, Léry, Thévet, Montaigne, Staden, Campanella, Gândavo, e outros. Com o pouco interesse da Metrópole portuguesa pela região durante a maior parte do século XVI, poderíamos dizer que a fundação do Brasil se faz textualmente, através de seus primeiros intérpretes.

Sumário

Apresentação

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Artigos

Eneida Maria de Souza
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Ettore Finazzi Agrò
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Luiz Fernando Valente
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Luiza Franco Moreira
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Marília Rothier Cardoso
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Regina Zilbeman
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Renato Cordeiro Gomes
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Roberto Vecchi
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Resenha

A História literária do Rio Grande do Sul, de João Pinto da Silva
Regina Zilbeman
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'Flores artificiais', de Luiz Ruffato
Gabriel Villamil Martins
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