"E todo silêncio é música em estado de gravidez”: representações do lembrar e do esquecer em Antes de nascer o mundo, de Mia Couto

Marcelo Franz, Thiago Alexandre Correa

Resumo


Mia Couto é atualmente o ficcionista africano mais conhecido e estudado no Brasil. Sua vasta obra em prosa, marcada pela intensidade poética, tem na memória, individual e coletiva, um dos seus temas mais destacados. Analisamos neste estudo o romance Antes de Nascer o Mundo (2009). A trama é narrada e protagonizada pelo menino Mwanito, que descreve o exílio que sua família é obrigada a enfrentar por determinação de seu pai, Silvestre Vitalício. Os personagens são conduzidos para um território desprovido de qualquer contato social, o que gera em Mwanito e em seu irmão Ntunzi a experiência de um crescimento sem referências de um passado que os explique e oriente suas buscas no presente. Jesusalém, o mundo fechado onde vivem, é a metáfora do esquecimento imposto, motivado pelo trauma de um passado de dor e desolação do qual Silvestre Vitalício quer se desfazer e proteger (ainda que tiranicamente) seus filhos. Discutimos as variadas representações da memória e do esquecimento e o significado que eles têm no romance de Couto. Também analisamos a construção das identidades dos personagens e a importância da palavra como fator de resistência e humanização ante a força do silenciamento.


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DOI: https://doi.org/10.22456/2594-8962.95416

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