A carta-testamento de Getúlio e a cena da enunciação

Maria Eduarda Giering

Resumo


Estudamos a carta-testamento de Getúlio Vargas, caracterizada por uma dupla genericidade (RODRIGUES et al, 2012), sob a perspectiva da “cena de enunciação” (MAINGUENEAU, 2001; 2004; 2006), que associa, segundo o linguista, três cenas de fala: a “englobante”, a “genérica” e a “cenografia”. Para o autor, um texto não é um conjunto de signos inertes, mas o rastro deixado por um discurso em que a fala é encenada. O objetivo do trabalho é analisar a carta-testamento como um discurso que pretendeu convencer e emocionar seus interlocutores instituindo a cena da enunciação que a legitima. Consideramos o texto sob a perspectiva da cena englobante política e da cena genérica epistolar, identificando os papeis dos participantes, o modo de inscrição no tempo e espaço, o suporte material, a finalidade discursiva. Para a análise da cenografia construída pelo enunciador, tendo em vista o gênero discursivo “carta-testamento” em questão e os fins discursivos almejados, enfocamos o modo de organização enunciativo e narrativo da carta, bem como as marcas de modalizações pragmáticas (modalidades). Verificamos que se cria, pela encenação discursiva da carta-testamento, um ethos, uma identidade, por meio da qual Vargas passa a ser identificado como um símbolo heroico de resistência.


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DOI: https://doi.org/10.22456/2594-8962.65799

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