AS « LINCOLN PLAYS » DE SUZAN-LORI PARKS OU A DE(RE)COMPOSIÇÃO DE UM MITO AMERICANO

Raphaëlle Tchamitchian

Resumo


As duas peças de Suzan-Lori Parks, The America Play (1994) e Topdog/Underdog (2001, Prix Pulitzer), colocam em cena um personagem negro que trabalha em uma atração de feira, caracterizando-se como Abraham Lincoln, o décimo-sexto presidente dos Estados Unidos, célebre por ter abolido a escravidão: os clientes pagam para interpretar o papel de Booth, o histórico assassino deLincoln, no qual atiram durante todo o dia. Assim, é necessário simular a morte e recomeçar, indefinidamente. Esse jogo teatralizado ocorre em acordo com as condições de cada peça: na primeira, o personagem (anônimo) se identifica tão profundamente com Lincoln que se esquece quem ele próprio realmente é; já na segunda, trata-se apenas de um trabalho de subsistência humilhante para o personagem (o qual chama-se Lincoln em sua vida real). Em ambos os casos, é o mito de Lincoln que se questiona, tanto no que concerne à sua construção quanto às suas deficiências. Suzan-Lori Parks (1963-) substitui mitos arcaicos por uma história recente que considera ter a mesma função: revelar as estruturas subjacentes da nação americana, especialmente aquelas que dizem respeito aos afro-americanos. Ao fazer isso, a autora inventa sobre o palco, no presente, uma nova percepção da História.


Palavras-chave


Suzan-Lori Parks; teatro afro-americano; Abraham Lincoln; História; mito.

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DOI: https://doi.org/10.22456/2236-3254.85690





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