A PERFORMANCE DO ESPAÇO DE ZOÉ DEGANI: CENOGRAFIAS DE SIGNOS E SENSAÇÕES, CORPOS-COISAS E ACOPLAMENTOS

Lindsay Tarouco Gianuca

Resumo


O espaço cênico é um lugar-potência para diversos discursos e linguagens artísticas. A cenografia, como prática autoral no contexto espetacular, não se limita a ilustrar ou decorar; na sua incidência estética sobre a cena, pluraliza o diálogo polimórfico do evento e serve de suporte à experiência reflexiva e sensível. Apoiados sobre a prática da cenógrafa gaúcha Zoé Degani, esta proposta compreende exemplificar como sua relação com o espaço extrapola o caráter arquitetural e pictórico, invadindo outros territórios através da aderência de signos estéticos ao espaço cênico. O método de análise está apoiado na crítica genética, na investigação histórica da obra da artista e na verificação dos motivos e inquietações que originaram determinadas criações sob um caráter político inequívoco. Pretende-se aclarar o poder desta zona expressiva do espetáculo que, ao equipar o palco com engrenagens e conceitos, redimensiona o sentido das cenas e oferece novas visões sobre velhos temas. O espectador, ao ser confrontado com uma estética cênica incisiva, promovida pela artista, deve operar ativamente, antecipando características de um teatro pós-dramático e revivendo qualidades de um teatro brechtiano. As criações destacadas possibilitam perceber um espaço cênico que irrompe o limite do palco, faz do espectador pertencente e compartilha com ele um fato. Assim, não é o distanciamento crítico que a cenografia opera, mas a aproximação plástica entre os corpos do espaço, onde todos são vistos como peças do jogo, neste sentido, uma obra eminentemente política

Palavras-chave


Espaço Cênico. Zoé Degani. Cenografia. Acoplamento.

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DOI: https://doi.org/10.22456/2236-3254.61205





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