A ANGÚSTIA E AS FRATURAS SUBJETIVAS DE UMA CLASSE DEGRADADA: O PROLETARIADO PRECARIZADO EM PASSAGEIRO DO FIM DO DIA, DE RUBENS FIGUEIREDO, E DE GADOS E HOMENS, DE ANA PAULA MAIA

Rafael Lucas Santos da Silva

Resumo


Tendo em vista que o capital financeiro tornou-se fração hegemônica da dinâmica de acumulação capitalista, pretendeu-se neste artigo apreender na perspectiva dialética as tensões existentes na relação entre a produção literária brasileira contemporânea e os processos histórico-sociais de precarização do trabalho, com foco no discurso ficcional dos romances Passageiro do fim do dia (2010), de Rubens Figueiredo, e De gados e homens (2013), de Ana Paula Maia. Dessa maneira, para essa análise, o suporte teórico-metodológico utilizado relacionou a estética lukacsiana à abordagem da literatura e processo histórico-social, a partir do qual propõe-se a hipótese de que as narrativas evidenciam e problematizam a dimensão simbólica e subjetiva do processo modernizador autoritário e desigual do Estado brasileiro.

Palavras-chave


Literatura brasileira contemporânea; Modernização periférica; Ontologia do ser social; Precarização do trabalho.

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DOI: https://doi.org/10.22456/2236-6385.91891



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