A AUTORREFLEXIVIDADE NA EPOPEIA INDIANISTA ROMÂNTICA: GONÇALVES DIAS, GONÇALVES DE MAGALHÃES, DANIEL CAMPOS

Roger Friedlein

Resumo


Abstract: Although epic poetry could seem more adequate for extensive historical narratives, it also dedicates considerable space to reflection on itself and on art in general. This auto-reflexive dimension of epic poetry remains largely unexplored in the context of Iberian and Latin American Romanticism. This article intends to present different modalities of self-reflexive narrative in three examples of epic poetry from Brazilian and Bolivian indianismo (Gonçalves Dias: “I-Juca Pirama”, 1851; Gonçalves de Magalhães: A Confederação dos tamoios, 1856; Daniel Campos: Celichá, 1897), differentiating between self-reflexiveness in the narrator’s discourse and in his diegesis. On both textual levels, the chosen examples put on stage characters of poets that reflect the ideas of Romanticism, ranging from the character of the Indian as a poet to the voice of the epic narrator himself. The self-reflexiveness of epic poetry in the 19th century contributes thus to the evolution of contemporary literary theory, but maintains his potential of difference from the discourses that are articulated in a non-fictional context.


Keywords: Indianismo; Romanticism; Epic poetry; Self-reflexiveness; Brazilian literature; Latin-American literature.

Resumo: Embora a poesia épica pareça mais propícia para relatos históricos de grande formato, ela também concede espaços consideráveis, e por vezes centrais, à reflexão sobre ela própria ou sobre a arte em geral. Essa dimensão da poesia épica está em grande medida por explorar no contexto do Romantismo ibérico e latino-americano. O artigo propõe-se apresentar diferentes modalidades de autorreflexividade em três exemplos da poesia épica do indianismo brasileiro (Gonçalves Dias: “I-Juca Pirama”, 1851, e Gonçalves de Magalhães: A Confederação dos tamoios, 1856) e boliviano (Daniel Campos: Celichá, 1897). Será básica a diferenciação dos fenômenos autorreflexivos no discurso do narrador – sejam explícitos ou transmitidos só através da forma – daqueles relacionados com a diegese épica. Nos dois níveis textuais, os exemplos escolhidos encenam figuras de poetas cujas características refletem as ideias do Romantismo, seja na figura do índio como poeta ou seja na própria voz épica. Os poemas épicos do séc. XIX contribuem, portanto, de maneira autorreflexiva, ao desenvolvimento do discurso teórico da época, mas possuem, ao mesmo tempo, um potencial de diferença daqueles discursos articulados em contexto não ficcional.

Palavras-chave: Indianismo; Romantismo; Poesia épica; Autorreflexividade; Literatura brasileira; Literatura latino-americana.


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