RELER HOJE A CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS?

Saulo Neiva

Resumo


RESUMO: Duas grandes tensões atravessam a poesia indianista brasileira do século XIX: a que diz respeito à polêmica sobre a inadequação da epopeia à modernidade e a que se relaciona com o debate sobre o lugar do índio “perante a história” (Gonçalves de Magalhães). A redefinição das fronteiras entre o relato épico e a expressão do sujeito lírico aparece como uma das respostas encontradas por tais poemas para essa dupla injunção. No entanto, ainda que possamos admitir que essa poesia não considera os ameríndios como “povos na infância” para os quais “não há história, há apenas etnografia” (Varnhagen), ela os representa como “raça extinta” (Gonçalves Dias), expulsando-os assim do presente em que se dá a sua leitura.

PALAVRAS-CHAVE: Poesia indianista brasileira; Gonçalves de Magalhães; A Confederação dos Tamaios; Polêmicas.

 

 

ABSTRACT:  Two great tensions traverse  Brazilian indianist poetry in the 19th century: one refers to the polemics about the inadequacy of the epic to modernity, the other relates to the debate about the place of the American Indian “before History” (Gonçalves de Magalhães). The redefining of frontiers between the epic narrative and the expression of the lyric subject appears as one of the answers found by those poems to this double injunction.Yet, although we can possibly accept that such poetry does not consider Amerindians as “peoples in their infancy” to whom “there is no history, there is only ethnography” (Varnhagen), it does represent them as an “extinct race” (Gonçalves Dias), expelling them from the present in which their reading occurs.

KEYWORDS: Indianist epic poetry; Gonçalves de Magalhães; The Tamoio Confederacy; Polemics.


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