A ARTE COMO POLÍTICA: UM OLHAR CONTEMPORÂNEO SOBRE A CRÔNICA DE JOÃO DO RIO
Resumo
Resumo: A superioridade do artista em relação ao político-ideológico, tema que atravessa a produção de João do Rio, para além das crônicas que comentam a vida política do Brasil de seu tempo, é claramente explicitada em texto, motivado pela leitura de Nietzsche. Por outro lado, permite apreender a posição do jornalista-escritor enquanto “intelectual”, quando incorpora “o radical de ocasião” (Candido) e traz para cena os escombros da belle époque carioca. Ou quando toma partido frente aos problemas políticos, em contraste com a crônica mundana dos “encantadores” da elite social. Assim, esta proposta pretende salientar o viés político de Paulo Barreto e discutir suas relações com a contemporaneidade, valendo-se das formulações de Rancière e de Agamben. Tal procedimento analítico evoca a noção de anacronismo que ajuda a ler João do Rio como nosso contemporâneo.
Palavras-chave: Arte e política; João do Rio; contemporaneidade; crônica; anacronismo.
Abstract: The artist's superiority in respect to the political-ideological, theme which trespasses João do Rio's literary work, going beyond the chronicles about Brazil political life of his time, is clearly stated in an homonymous text, motivated by his readings of Nietzsche. On the other hand, it allows to grasp the position of the journalist-writer as an "intelectual" when he incorporates "the radical of the occasion" (Candido) and brings to the scene the ruins of Rio de Janeiro's belle époque. Or even when he takes part facing the political problems, in contrast to the mundane chronicle of the social elite "charmers". Thus, the proposed paper intends to stress out the political bias of Paulo Barreto and to discuss his relations to contemporaneity, using the Rancière and Agamben formulations. Such analytical procedure evokes the notion of anachronism that helps reading João do Rio as contemporary to us.
Keywords: Art and politics; João do Rio; contemporaneity; chronicle; anachronism.