O GLOBAL E O PARTICULAR: UMA LEITURA ESPACIAL DE ELES ERAM MUITOS CAVALOS, DE LUIZ RUFFATO

Cecily Raynor

Resumo


Resumo: Eles eram muitos cavalos (2001), de Luiz Ruffato, é um romance estruturado em vinhetas, que apresenta diferentes histórias, gêneros e narrativas. Neste artigo, afirmo que a obra rompe com a linearidade geográfica na sua descrição de uma São Paulo com dimensões ao mesmo tempo locais e globais. Assim, convida um público hoje transnacional a múltiplas leituras e interpretações, através de suas micronarrativas e personagens de diversas procedências. Essa obra de Ruffato desafia a divisão global-local e um discurso de globalização frequentemente homogeneizante, colocando esses dois parâmetros espaciais-temporais em diálogo no âmbito da cidade. Por isso, teóricos como David Harvey, Saskia Sassen e Fredric Jameson contribuem para esta análise, em que se expõe a mescla textual do romance, os recursos visuais que o caracterizam e sua relação com a pós-modernidade global do século XXI. Põe-se em evidência, portanto, o universo polifônico de vozes da obra, suas referências a produtos globais assim como à cultura popular, além de suas particularidades locais. A manipulação temporal também é destacada, já que distorce presente, passado e futuro, conectando-se à produção cultural pós-modernista.

Palavras-chave: Luiz Ruffato; globalização; transnacionalidade; romance pós-moderno; representação da cidade.

 

Abstract: Eles eram muitos cavalos (2001), by Luiz Ruffato, is a novel structured in vignettes that allows for many interpretations, unconfined by a singular story, genre or narrative. In this article, I argue that the novel disrupts geographic linearity in its depiction of a São Paulo that is simultaneously global and local. It invites multiple readings and interpretations to its now transnational audience, through the work's use of micro-narratives and its depiction of protagonists of diverse backgrounds. The work challenges the global-local divide of a frequently homogenizing globalization discourse, placing these time-space parameters in dialogue in the framework of the city. Theorists such as David Harvey, Saskia Sassen and Fredric Jameson contribute to this analysis, as the work's textual mélange and its visual nature place it in dialogue with 21st century postmodernity. The work's polyphonic voices and references to global artifacts and popular culture extend beyond local particularities. Finally, this article stresses the novel's varied treatment of time and examines how it distorts present, past and future, further situating it into the theoretical framework of postmodernity.

Keywords: Luiz Ruffato; globalization; transnationality; postmodern novel; representation of cities.


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