CHAMADA PARA DOSSIÊ TEMÁTICO

O ano de 2018 marcou os 40 anos do surgimento do movimento homossexual no Brasil que, desde a década de 1970, tensiona os termos da luta política dentro desse campo. De lá pra cá, muitas mudanças ocorreram no próprio movimento, multiplicando seus atores sociais, evidenciando suas diferenças de modo a construir uma política de alianças entre os diferentes segmentos. Hoje, a diferença é expressa na sigla LGBT+ , que tenta unir o maior número de identidades possíveis - porém não sem provocar certas exclusões. A entrada desses sujeitos na política coincide com a inauguração de um campo de estudos que busca pesquisar suas trajetórias, memórias, disputas, formas de organização, etc. Ainda assim, no que tange à escritada história, é somente no início dos anos 2000 que se percebe um “movimento” que evidencia esse universo não somente como objeto de estudo, mas também o sujeito que lhe escreve. A proposta deste dossiê é receber trabalhos que problematizem experiências das sexualidades dissidentes no Brasil e em perspectiva global, bem como o modo com que a historiografia vem mediando essas temáticas. Aceitaremos pesquisas que pensem as lutas, subjetividades e representações de LGBTs em diversos contextos, sobretudo, de experiências pós-coloniais e as diferentes temporalidades inauguradas a partir delas. Nesse sentido, interessa também questionar que categorias e conceitos, fontes e problemas, tem sido utilizadas pelas historiadoras/es para descrever as relações de poder e resistência nas quais esses sujeitos estão imersos, marcando formas diferentes de se relacionar com o tempo, a sexualidade, as instituições, etc. Entendendo que em geral tais questões também atravessam aquela/e que escreve e realiza uma pesquisa, como a teoria da história pode (re)pensar seus limites e possibilidades e assim, dar conta de experiências tão plurais? Se, como apontou Michel de Certeau, a função da escrita é diferente mas também complementar à prática, o que significa ser/pesquisar dissidentes sexuais em tempos sombrios? Por fim, destacamos a importância de se estudar tais experiências em variadas fontes, complexificando o fazer historiográfico num contexto político marcado pela ascensão do conservadorismo e das mortes e violências contra as pessoas LGBT+.

Organizadores: Guilherme da Silva Cardoso e Tiago Vidal Medeiros

Palavras-chave: LGBT+, Sexualidades dissidentes, Historiografia, Teoria da História.

PRAZO PARA SUBMISSÕES: 30/04/2019