Uma sociologia sem objeto? Observações sobre a interobjetividade

Bruno Latour

Resumo


Várias pesquisas recentes modificaram profundamente nossas concepções sobre as relações do conhecimento com a ação1. A sociologia das ciências, a antropologia cognitiva e o movimento das ciências cognitivas, que procura aplicar o conhecimento (situaded cognition), contribuíram para encarnar a atividade do pensamento, para situá-la em práticas, em lugares e em um mundo de objetos2. A cena assim produzida – laboratório, oficina, cozinha, rua, vilarejos – parece-se pouco com a antiga epistemologia ou com a antiga psicologia. A produção de informações passa a ser uma tarefa como outra qualquer, que os sociólogos do trabalho podem, de fato, estudar com seus métodos habituais. Mas essas novas concepções do trabalho intelectual modificam também o papel dos objetos na interação social, e até mesmo a definição de interação. O propósito desta reflexão é explicitar a passagem de uma intersubjetividade a uma interobjetividade, mais bem adaptada, segundo nossa opinião, às ciências humanas. 


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