PROCESSO DE ENFERMAGEM: INTERFACES COM O PROCESSO DE ACREDITAÇÃO HOSPITALAR

Amália de Fátima Lucena

Resumo


A melhoria da segurança do paciente e da qualidade do cuidado à saúde tem recebido atenção especial em âmbito mundial, com alta prioridade na agenda da Organização Mundial da Saúde (OMS)(1,2). Nesta perspectiva, muitos hospitais reconhecem a necessidade de desenvolver estratégias que impeçam ou minimizem a chance de erros e falhas em seus serviços, buscando a implementação dos padrões de acreditação hospitalar da Joint Comission International (JCI). A JCI oferece à comunidade internacional processos objetivos com base em padrões para a avaliação dos cuidados à saúde, tendo como principal propósito o de estimular a demonstração de melhoria contínua e sustentada nas instituições(3). Assim, a busca pela qualificação e segurança do cuidado, associado ao aumento de sua complexidade determinada por fatores como o avanço científico-tecnológico, desafia a enfermagem a desenvolver habilidades intelectuais, técnicas e interpessoais para a realização de ações sistêmicas, que viabilizem reduzir desfechos indesejados. Em interface com o processo de acreditação, o processo de enfermagem (PE) se apresenta como importante norteador para a organização e documentação da prática profissional, com vistas à qualificação da assistência de enfermagem(4,5). Registrar no prontuário do paciente as informações inerentes e indispensáveis ao processo de cuidar é dever profissional, conforme previsto no Código de Ética de Enfermagem (6) e na Resolução COFEN-358/2009(4), que remete ao desenvolvimento das etapas do PE: coleta de dados, diagnóstico, planejamento, intervenção e avaliação de resultados. Por sua vez, as informações geradas pelo PE, quando registradas de maneira completa e fidedigna, podem assegurar a continuidade da assistência e promover a segurança do paciente, conforme preconizado pela OMS e JCI. Nesta lógica, verifica-se que o manual de Padrões de Acreditação da JCI para Hospitais apresenta duas grandes seções, dentre estas se destaca a de “Padrões com Foco no Paciente”. Em seus capítulos está o de Avaliação dos Pacientes (AOP), que consiste de três processos básicos: coleta de informações, análise dos dados e informações e desenvolvimento de um plano de cuidados(3). Estas atividades também estão contempladas em algumas etapas do PE, que apontam para a necessidade de busca de
informações do paciente para embasar o seu diagnóstico e realizar o planejamento do seu cuidado. De maneira similar, o capítulo Cuidado aos Pacientes (COP), tem como principal propósito determinar as atividades básicas para o cuidado, tendo em vista as metas a serem atingidas(3). Neste ponto, novamente, percebe-se uma íntima relação com as etapas de planejamento, intervenção e avaliação de resultados,
conforme previsto no PE. Assim, considerando-se o cenário de acreditação hospitalar, percebe-se que a busca pela excelência da qualidade da assistência também está pautada pelo registro da informação coerente, que é decisiva à adoção de medidas que aumentem a segurança em saúde. Para isto, é importante reorganizar os processos de trabalho, capacitar continuamente a equipe para a valorização e adesão aos padrões preconizados e criar instrumentos que se constituam em apoio (e não obstáculo) para o registro do cuidado ao paciente.

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ISSN 0102-6933 E-ISSN 1983-1447