A AUTOPERCEPÇÃO DE IDOSAS SOBRE O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO

José Nilson Rodrigues Menezes, Betina Santos Tomaz, Vanessa Fernandes Pontes, Luciana Dias Belchior

Resumo


Introdução: o aumento de idosos no Brasil e no mundo alavancou avanço nas pesquisas sobre envelhecimento. Embora a cultura atual ainda atribua valor negativo à velhice, os estudos hodiernos têm procurado entender esse processo como um todo e não apenas como o avanço da idade, abrindo novos horizontes para se viver melhor essa fase da vida. Objetivo: verificar a autopercepção de idosas sobre o processo de envelhecimento. Métodos: estudo qualitativo, de caráter transversal e analítico, realizado no clube de associação de idosos, desenvolvido no período de agosto de 2009. Participaram da pesquisa 17 idosas, com uma média de idade de 67 anos. Foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturada, sendo realizada individualmente. Os registros das entrevistas foram realizados com o auxílio de um gravador e, posteriormente, transcritos na íntegra. A análise de dados ocorreu a partir da observação dos conteúdos encontrados durante a pesquisa. Foram utilizados os balizamentos e o método de interpretação das palavras. Resultados: a análise das entrevistas possibilitou o surgimento de quatro categorias: a primeira trata da Concepção Negativa da Velhice, a segunda da Experiência Vivida pelas Idosas, a terceira discute os Significados do Processo de Envelhecimento e a quarta sobre Ações para a Promoção da Saúde do Idoso. Considerações finais: ao verificar a autopercepção das idosas sobre o processo de envelhecimento, percebe-se que as definições sobre velhice expostas por elas não parecem extraídas de suas vivências, mas de uma concepção já tradicionalmente designada para este período e que povoa o imaginário social.

Palavras-chave


Idosas. Velhice. Autopercepção.

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Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento. ISSN: 1517-2473 (impresso) e 2316-2171 (eletrônico)
Qualis Capes 2016, área interdisciplinar: B2