SOBRE O ENVELHECIMENTO, A MÍDIA E A MORTE NO CONTEMPORÂNEO

Franciele Roberta Cordeiro, Monalisa da Silva Pinheiro, Dayane de Aguiar Cicollela Correio

Resumo


Este artigo tem como objetivo dialogar com os discursos circulantes sobre a morte na mídia. As problematizações são realizadas sob a ótica dos Estudos Culturais. Aponta-se um breve histórico a respeito da mídia e o modo como se dá visibilidade à morte. Os discursos que os meios de comunicação fazem circular interpelam os sujeitos para a produção da morte pacífica e controlada, facilitando o governo dos processos vitais, por parte do sujeito, da família e dos profissionais de saúde. Controlar a vida e a morte, minimizando riscos e sofrimentos, torna-se um imperativo sob o qual os indivíduos estão expostos e são subjetivados. Dessa forma, a constituição de sujeitos que governam suas vidas torna-se produtivo devido aos comportamentos de segurança e proteção que somos levados a adotar. Para além, as responsabilidades e cuidados que assumimos repercutem para a boa organização social.


Palavras-chave


Enfermagem. Informação. Morte.

Texto completo:

PDF

Referências


ARAÚJO, Alysson Carvalho; MERGULHÃO, Danilo Rafael da Silva; NÓBREGA, Pedro Ricardo da. Representação sobre o envelhecimento em Amour: notas sobre os processos socioespaciais na velhice. Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento, Porto Alegre, v. 18, n. 2, p. 455-470, dez. 2013. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/index.php/RevEnvelhecer/article/view/37348/27669. Acesso em: 29 jan. 2014.

BAUMAN, Zygmunt. 44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

BRASIL. Lei N° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Diário Oficial da União. República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 20 fev. 1998, Seção 1, p. 3. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9610.htm. Acesso em: 31 mar. 2014.

______. Ministério da Saúde. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.

______. Resolução N° 1.995 de 09 de agosto de 2012. Dispõe sobre as diretivas antecipadas de vontade dos pacientes. Diário Oficial da União, República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 31 ago. 2012, Seção 1, p. 269-270.

CORDEIRO, Franciele Roberta. Eu decido meu fim?: a mídia e a produção de sujeitos que governam sua morte. 2013. 160 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Escola de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.

ELIAS, Norbert. A solidão dos moribundos: seguido de envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

FISCHER, Rosa Maria Bueno. Adolescência em discurso: mídia e produção de subjetividade. 1996. 300 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1996.

FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

______. Segurança, Território e População: Curso no Collège de France: 1977-1978. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

GUAZZELLI FILHO, Eloar. Canini e o anti-herói brasileiro: do Zé Candango ao Zé – realmente - carioca. 2009. 190 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

KELLNER, Douglas. A cultura da mídia. Bauru: EDUSC, 2001.

______. A cultura da mídia e o triunfo do espetáculo. Líbero. São Paulo, v. 6, n. 11, p. 4-15, 2003. Disponível em: http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/libero/article/view/3901/3660. Acesso em: 15 jan. 2014.

LAZZARATO, Maurizio. As revoluções do capitalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

LEONETTI, Jean. Rapport fait au nom de la mission d’information sur l’accompagnement de la fin de vie. Paris: Assemblee Nationale, de juin de 2004. Disponível em: http://www.assemblee-nationale.fr/12/pdf/rap-info/i1708-t1.pdf. Acesso em: 21 jan. 2014.

PORTO, Andreia Ramos do; ROECKER, Simone; SALVAGIONI, Denise Albieri Jodas. O envelhecer e a morte: compreendendo os sentimentos de idosos institucionalizados. Revista de Enfermagem da UFSM, Santa Maria, v. 3, n. 1, p. 35-43, jan./abr. 2013. Disponível em: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/reufsm/article/view/7205. Acesso em: 4 mar. 2014.

RODRIGUES, José Carlos. O tabu da morte. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006.

ROSE, Nikolas. A política da própria vida: Biomedicina, poder e subjetividade no século XXI. São Paulo: Paulus, 2013.

SILVA, Cintia de Carvalho et al. Principais políticas sociais, nacionais e internacionais, de direito do idoso. Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento, Porto Alegre, v. 18, n. 2, p. 257-274, dez. 2013.

SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME. Human Development Report 2013: The Rise of the South: Human Progress in a Diverse World. New York: United Nations Development Programme, 2013. Disponível em: http://hdr.undp.org/sites/default/files/reports/14/hdr2013_en_complete.pdf. Acesso em: 15 jan. 2014.

WONG, Laura L. Rodríguez; CARVALHO, José Alberto M.. O rápido processo de envelhecimento populacional do Brasil: sérios desafios para as políticas públicas. Revista Brasileira de Estudos de População. São Paulo, v. 23, n. 1, p. 5-26, jun./jun. 2006.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Palliative care is an essential part of cancer control. Geneva: World Health Organization, Feb. 2014. Disponível em: http://www.who.int/cancer/palliative/en. Acesso em: 8 nov. 2014.




Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento. ISSN: 1517-2473 (impresso) e 2316-2171 (eletrônico)
Qualis Capes 2016, área interdisciplinar: B2