IDENTIDADES, DISCURSOS E FRONTEIRAS: (RE) PENSANDO ENVELHECIMENTO

João Paulo Ferreira da Silva, Keika Inouye, Fabiana De Souza Orlandi, Sofia Cristina Iost Pavarini

Resumo


O processo de envelhecer tem feito submergir inúmeras questões sobre como manter-se ativo e saudável a certo preço. Seja pelo advento de novas técnicas cirúrgico-plásticas, seja através da mídia, seja por consequências culturais, sociais e históricas, o corpo jovem/belo/sarado tem ganhado cada vez mais espaço e relegado, inversamente, ao corpo velho, o estigma da degeneração física e social.  Esse preço tem custado intensas adequações sociais aos padrões hegemônicos de identidade, de corpo e de saúde tidos como normais, ressignificando fronteiras entre ser normal e ser patológico, ser jovem e ser velho e instituindo verdadeiros “marcadores coletivos” de controle e de disciplinamento/normalização estético social. 


Palavras-chave


Envelhecimento; Corpo; Gerontologia; Discursos; Normalização;

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Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento. ISSN: 1517-2473 (impresso) e 2316-2171 (eletrônico)
Qualis Capes 2016, área interdisciplinar: B2