VIDA E VELHICE AOS 100 ANOS DE IDADE: PERCEPÇÕES NA FALA DOS IDOSOS

Claudia da Silva Biolchi, Marilene Rodrigues Portella, Eliane Lucia Colussi

Resumo


O envelhecimento é um fenômeno mundial e também brasileiro. Dentro da população de idosos, o grupo dos mais velhos cresce expressivamente. Idosos mais velhos fazem parte de uma população mais fragilizada por sofrerem maior impacto dos reflexos sociais, interferindo diretamente no processo saúde-doença e necessitando de maior aporte de investimentos em políticas públicas. Objetiva-se descrever as percepções sobre vida e a velhice a partir das falas dos idosos centenários. Um estudo descritivo e qualitativo que envolveu nove idosos residentes no município de Passo Fundo-RS, com idade igual ou superior a 100 anos e cognição presevada. Na coleta de dados com entrevista, utilizou-se instrumento contendo questões semi-estruturadas sobre aspectos sócio-demográficos e questões abertas sobre as percepções de sua vivência centenária e memórias de vida. A vida aos 100 anos no que confere a auto-percepção de saúde é entendida por alguns dos participantes como sendo boa, mesmo frente às adversidades, se locomovem com auxílio de dispositivo e mantém cuidados com a dieta, para outros é vista com reservas pois percebem suas limitações no plano sensorial como enxergar e escutar muito pouco, necessitando de auxílio para todas as atividades. O significado da velhice: tempo de reverência: a Deus e a vida; tempo de perdão e de agradecimento; tempo de contemplação: as amizades e a família e tempo de ir embora. Idosos com limitações severas e funcionalidade comprometida atribuem significado à velhice de infortúnio, por outro lado também é observada como tempo de graça e felicidade pelas experiências que vida ofertou.

 


Palavras-chave


Centenários. Longevidade. Idosos. Velhíssimos.

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Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento. ISSN: 1517-2473 (impresso) e 2316-2171 (eletrônico)
Qualis Capes 2016, área interdisciplinar: B2