A VIOLÊNCIA CONTRA O IDOSO NA VISÃO DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE

Diane Sousa Sales, Cibelly Aliny Freitas, Maria da Conceição Brito, Eliany Oliveira, Fernando Dias, Fabiara Parente, Maria Josefina Silva

Resumo


Identificar a percepção do agente comunitário de saúde (ACS) em relação ao idoso que foi vítima de violência e analisar o fluxo de atendimento dos casos de violência contra o idoso identificados pelos ACS. Trata-se de estudo exploratório e descritivo com uma abordagem qualitativa, sendo os sujeitos os ACS. A coleta de informações foi realizada por meio de entrevista semiestruturada e os dados foram categorizados com base no referencial de análise temática de Minayo. Os aspectos da Resolução n. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) foram observados. Neste estudo, a partir das falas dos ACS, surgiram duas categorias: 1) Percepção sobre o idoso identificado como vítima de violência, na qual se retrata a imagem da violência observada durante as visitas domiciliares; e 2) Notificação: identificação do caso no fluxo de atendimento – esta aponta que as instituições que notificam e acolhem o idoso que foi vítima de violência são as unidades básicas de saúde (UBS) e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). A partir dessas instituições, ocorre o encaminhamento para outros serviços. Conclui-se que os ACS consideram a violência intrafamiliar predominante, que é cometida por quem compartilha o dia a dia com o idoso e envolve, principalmente, a negligência. Em relação às instituições, estas não dialogam na perspectiva de socialização de informações dos casos notificados, assim, vivencia-se uma ausência de fluxo de atendimento para essa família. Em compensação, os ACS apresentam uma proposta de fluxo de atendimento para as instituições.


Palavras-chave


Maus-Tratos ao Idoso; Notificação; Agentes Comunitários de Saúde;

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Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento. ISSN: 1517-2473 (impresso) e 2316-2171 (eletrônico)
Qualis Capes 2016, área interdisciplinar: B2