PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E SOCIOECONÔMICO DE IDOSOS ATIVOS: QUALIDADE DE VIDA ASSOCIADA COM RENDA, ESCOLARIDADE E MORBIDADES

Dênis Marcelo Modeneze, Érika da Silva Maciel, Guanis de Barros Vilela Júnior, Jaqueline Girnos Sonati, Roberto Vilarta

Resumo


Os componentes do perfil epidemiológico e social de idosos parecem ter forte associação com a percepção subjetiva da qualidade de vida. O objetivo desse estudo foi determinar a associação entre qualidade de vida e os aspectos socioeconômicos e de saúde de idosos ativos. Foram estudados 82 idosos com idade média de 68,08 (DP=4,36) anos, participantes da Universidade da Terceira Idade – UnATI – da cidade de Piracicaba, São Paulo, Brasil. A percepção da qualidade de vida foi mensurada utilizando o WHOQOLBREF. Idade, gênero, renda, estado civil, escolaridade, nível socioeconômico, número de morbidades, circunferência abdominal e IMC foram elencadas como variáveis independentes. As associações entre a percepção da qualidade de vida e as variá veis independentes foram avaliadas pelos testes do qui-quadrado para as variáveis categóricas e pelos testes T-student ou Mann-Whitney, quando necessário, para as variáveis contínuas. O nível de significância adotado foi 5% de probabilidade ou o p-valor correspondente. A análise dos dados indicou a possível influência das variáveis renda, morbidades e escolaridade nos diversos domínios da qualidade de vida. Os idosos com maior poder aquisitivo são menos acometidos por doenças, têm níveis mais elevados de educação e informam ter melhor qualidade de vida. Concluímos que o perfil epidemiológico e social interfere na qualidade de vida de idosos ativos.

Palavras-chave


Envelhecimento. Qualidade de Vida. Atividade Física. Saúde.

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Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento. ISSN: 1517-2473 (impresso) e 2316-2171 (eletrônico)
Qualis Capes 2016, área interdisciplinar: B2