O atelier transparente, ou uma metáfora para a pintura. | The transparente atelier, or a metaphor for painting

Eduardo Vieira da Cunha

Resumo


A luz que atravessa o vidro já aparece representada na descrição do processo pictórico desde os carnets de Leonardo da Vinci. A janela de um atelier adquire esta função da objetiva da câmara clara: a de organizar o espaço, tanto aquele do interior do local de trabalho como o espaço interior da própria tela. A luz entra no atelier/laboratório para formar imagens sobre uma superfície sensível- a superfície da tela da pintura. O atelier transforma-se em um laboratório de revelação do mundo. É ali que as imagens se formam e tomam corpo. As sucessivas etapas continuam com a preparação do fundo branco da pintura, que torna translúcidas as diferentes cores. A tela passa a funcionar também como uma caixa de luz, iluminada do lado oposto, de onde as cores aparecem, por transparência. O artista é apenas um controlador da alquimia do processo: ele desencadeia uma reação catalisando a formação das imagens. Lembrando Proust, o processo de construção em pintura seria um desses “êxtases do tempo”, um efeito disjuntivo, mais topológico do que temporal, da nossa troca de experiência com o meio: a presença desconhecida da luz que atravessa o vidro para se fixar, modelando uma forma, em um fluxo contínuo de energias e tensões.
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The light that passes through the glass is already represented in the description of the pictorial process since the carnets from Leonardo da Vinci. The window of an atelier acquires this function of the lens of the camera lucida: of organizing the space, both that of the interior of the workplace and that of the interior of the space of the canvas itself. The light enters the atelier/laboratory to form images on a sensitive surface - the surface of the canvas. The atelier becomes a development laboratory of the world. It is there that the images are formed and take shape. The successive stages continue with the preparation of the white background of the painting, which makes the different colors translucent. The screen starts to work as a light box, illuminated on its opposite side, from where the colors appear, by the transparency. The artist is just a controller of the alchemy of the process: he triggers a reaction by catalyzing the formation of images. Remembering Proust, the process of construction in painting would be one of these "time ecstasies," a disjunctive effect, more topological than temporal, of our exchange of experiences with the medium: the unknown presence of the light that passes through the glass to fix itself, shaping a figure, on a continuous flow of energies and tensions.

Palavras-chave


Pintura. Ensaio Visual. Poéticas Visuais.

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Referências


S/R




DOI: https://doi.org/10.22456/2179-8001.79594

Direitos autorais 2017 Eduardo Vieira da Cunha

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PORTO ARTE: e-ISSN 2179-8001


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