Penumbra: As voltas com meus fantasmas e o jogo anadiômeno

Marilice Villeroy Corona

Resumo


Quando a luz do atelier se apaga para que o projetor emane suas imagens, os fantasmas tomam corpo. Na escuridão dá-se o transporte das imagens. De uma superfície à outra as imagens se debatem, reconfiguram-se e se acomodam. A imagem projetada sobre a tela branca dá vida a novas figuras, sombras e outros tantos efeitos que o atelier iluminado desconhece. A imagem se esparrama pelas bordas e deposita-se sobre a arquitetura, o mobiliário e demais objetos. Há algo de subterrâneo na escuridão do atelier. Tem vida própria. Algo “nos olha”. A escuridão do atelier e suas projeções fantasmáticas talvez se assemelhem a potência visual do jogo anadiômenoda qual nos fala Didi Huberman. As imagens projetadas talvez existam nesse movimento rítmico, “da superfície e do fundo, do fluxo e refluxo, do avanço e do recuo, do aparecimento e do desaparecimento”(DIDI-HUBERMAN,1998, p. 33.) onde “o visível é suportado por uma perda”. Algo emerge, como saído das águas profundas, e ecoa em minhas imagens.

 

Abstract

When the light in the studio goes out so that the projector emanates its images, ghosts take shape. In the darkness, images are transported. From one surface to the other, images are debated, reconfigured and accommodated. The image projected on the white canvas gives life to new figures, shadows and many other effects that the illuminated studio is unaware of. The image spreads over the edges and is deposited on architecture, furniture and other objects. There is something underground in the dark of the studio. It has a life of its own. Something “looks at us”. The darkness of the studio and its ghostly projections may be similar to the visual power of the anadyomene game that Didi Huberman talks about. The projected images may exist in this rhythmic movement, "of the surface and the bottom, of the ebb and flow, of the advance and the retreat, of the appearance and disappearance" where "the visible is supported by a loss". Something emerges, like out of the deep waters, and echoes in our images.

 

 

 


Palavras-chave


Projeções. Fotografia. Pintura. Memória. Apagamento

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Referências


DIDI-HUBERMAN,G. O que vemos, o que nos olha. São Paulo:Ed. 34, 1998, p. 33




DOI: https://doi.org/10.22456/2179-8001.110169

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PORTO ARTE: e-ISSN 2179-8001


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