A forma da cidade: deslocamento, porosidade e ressonância na escrita

Claudia Luiza Caimi

Resumo


Apresenta-se aqui uma discussão a propósito texto “A polifonia na escrita: rastros, riscos e experiência”, o qual estabelece uma íntima relação entre o mapa da cidade e a escrita, entre a linguagem e o pensamento, entre a dimensão política e a estética que percorre um texto.  Propomos apresentar, a partir do pensamento de Walter Benjamin, como o pensador/narrador percorre a cidade e a narra. Benjamin nos mostra como a cidade proporciona uma forma de narrativa e de pensamento que expõe o grão da diferença na engrenagem das tensões da vivência do homem moderno, indivíduo-massa habitante do grande espaço urbano, solitário, anônimo, que vive o choque em meio à profusão de automóveis, prédios e avenidas labirínticas. A partir da experiência na cidade, Walter Benjamin propõe uma escrita de montagem documental, que exibe ao invés de demonstrar e renuncia o valor discursivo, dedutivo e demonstrativo da escrita acadêmica em favor de um aspecto mais icônico e mostrativo. A montagem como forma estética e de pensamento permite expor a desterritorialização dos objetos do conhecimento, pois nela as diferenças nunca são absorvidas numa síntese positiva. O intervalo é por excelência, no pensamento benjaminiano, o instrumento epistemológico de desterritorialização disciplinar que permite saber e ver uma política do presente que inscreve os complexos processos memoriais.


Palavras-chave


cidade, experiência, escrita.

Texto completo:

PDF

Referências


Adorno, T. (1997). Prismas. São Paulo: Ática.

Agamben, G. (2012). Ideia da Prosa. Trad. e notas João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica editora.

Benjamin, W. (1993). Rua de mão única: obras escolhidas II. São Paulo: Brasiliense.

Benjamin, W. (2005). Sobre o conceito de história. Trad. de Jeanne Marie Gagnebin e Marcos L. Müller. In: LÖWY, Michel. Walter. Benjamin: aviso de incêndio. São Paulo: Boitempo.

Benjamin, W. (1994). O narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: Magia e técnica, arte e política. Obras Escolhidas: v. 1, 4. ed., São Paulo, Brasiliense, 1985b, 197- 221. Brasiliense.

Benjamin, W. (1987). Experiência e pobreza. In: Magia e técnica, arte e política: obras escolhidas I. Trad. Sergio Paulo Rouanet. 3 eds. São Paulo: Brasiliense.

Benjamin, W. (1987). Frantz Kafka. A propósito do décimo aniversário de sua morte. In: Magia e técnica, arte e política: obras escolhidas I. Trad. Sergio Paulo Rouanet. 3 eds. São Paulo: Brasiliense.

Benjamin, W. (1987). A imagem de Proust. IN: Magia e Técnica, Arte e Política.; obras escolhidas I. Tradução: Sérgio Paulo Rouanet. 7ª edição. São Paulo.

Benjamin, W. (2013). A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. Tradução, Gabriel Valladão Silva, organização prefácio e seleção Marcio Seligmann-Silva. Porto Alegre: L&PM.

Didi-Huberman, G. (2017). Quando as imagens tomam posição: o olho da história. Belo Horizonte, ed. UFMG.

Gagnebin, J. M. (1994). História e narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva.

Larrosa, J., & Skliar, C. (2001). Habitantes de Babel: políticas e poéticas da diferença. Belo Horizonte: Autêntica editorial.

Oliveira, L. I. (2008). Do canto e do silêncio das sereias: um ensaio à luz da teoria da narração de Walter Benjamin. São Paulo: EDUC.




DOI: https://doi.org/10.22456/2238-152X.92299

logogoogle
Scientific Electronic Library Online     

           

 

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional

 

ISSN eletrônico: 2238-152X