A EMPATIA COMO ATITUDE ÉTICA NO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL

Dassayeve Távora Lima, Mariana Tavares Cavalcanti Liberato, Bianca Waylla Ribeiro Dionísio

Resumo


Este trabalho objetiva discutir como a compreensão empática, atitude facilitadora do crescimento humano desenvolvida por Carl Rogers, se configura como uma agir ético no cuidado em saúde mental. Para isso, realizou-se um breve percurso histórico do campo da assistência à pessoa em sofrimento psíquico, partindo do modelo manicomial nascido nos hospitais psiquiátricos, e, posteriormente, passando pelas diversas reformas em saúde mental pelo mundo, até chegarmos ao atual modelo de atenção psicossocial, que se apresenta como um contexto propício para a emergência do agir ético. Apresenta-se a ideia de que no modelo manicomial não era possível sustentar uma dimensão ética no âmbito relacional, visto que o antigo paradigma psiquiátrico privilegiava o transtorno mental em detrimento da pessoa. Por fim, foram analisados aspectos referentes ao conceito de empatia e o diálogo possível com a ética levinasiana, cujas aproximações permitem inferir que a compreensão empática rogeriana se configura como uma atitude essencialmente ética.


Palavras-chave


Empatia; Ética; Saúde Mental.

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DOI: https://doi.org/10.22456/2238-152X.82791

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