A Analítica da Subjetivação em Michel Foucault

João Leite J L Ferreira Neto

Resumo


O objetivo deste artigo é discutir a analítica da subjetivação desenvolvida nas pesquisas de Foucault. Paralelamente a isso, buscou-se explorar as possibilidades de operacionalização dessa analítica, em pesquisas qualitativas. Trabalhou-se principalmente com os cursos nos quais Foucault investigou a subjetividade como prática de liberdade, a partir de 1978 e com textos e entrevistas do mesmo período. A passagem entre uma subjetivação que se faz sob práticas coercitivas a uma subjetivação reflexiva mais autônoma, ocorreu em decorrência de sua pesquisa sobre governamentalidade. A subjetivação passou a ser pensada a partir de dois vetores: as práticas de assujeitamento e as práticas de si. O segundo vetor foi explorado a partir de 1980, estando associado à atitude crítica em relação à governamentalidade, tendo um caráter coletivo, institucional e político. O trabalho de pesquisa, como modo de pensar diferentemente do que se pensava antes, constitui-se para Foucault um importante dispositivo de subjetivação contemporâneo.

Palavras-chave


Foucault; subjetividade; relações de poder; governamentalidade.

Texto completo:

PDF

Referências


Candiotto, C. (2016). Práticas de subjetivação e experiência da sexualidade em M. Foucault: sobre o uso dos prazeres e as práticas de si. In: Resende, H. (org.) Michel Foucault: política – pensamento e ação. Belo Horizonte: Autêntica.

Ettlinger, N. (2011) Governmentality as Epistemology. Annals of the Association of American Geographers, 101(3), p. 537–560. _

Fontanier, J-M (2007) Vocabulário latino da filosofia. (A. Cabral, Trad.) São Paulo: Martins Fontes.

Ferreira Neto, J. L. (2015a). Retraçando os deslocamentos de Foucault: o lugar da biopolítica e da governamentalidade. Psicologia em Estudo, 20(3), p. 365-376.

Ferreira Neto, J. L. (2015b). Pesquisa e metodologia em Michel Foucault. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 31(3), p. 411-420.

Foucault, M. (1978) O que é a crítica? Crítica e Aufklärung. (G. Borges, Trad.) Recuperado a partir de http://portalgens.com.br/portal/images/stories/pdf/critica.pdf.

Foucault, M. (1984). História da sexualidade 2: O uso dos prazeres. (M. T. Albuquerque, Trad.) Rio de Janeiro: Graal.

Foucault, M. (1987) Vigiar e Punir: história da violência nas prisões. 7ª ed. (L. Vassallo, Trad.) Petrópolis: Vozes. (Original publicado em 1975).

Foucault, M. (1995). Sobre a genealogia da ética: uma revisão do trabalho. In Rabinow, Dreyfus. Michel Foucault: uma trajetória filosófica (para além do estruturalismo e da hermenêutica). (V. Portocarrero, Trad.) (pp. 231-249) Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Foucault, M. (1999). Em defesa da sociedade. (E. Brandão, Trad.). São Paulo: Martins Fontes (Original publicado em 1976).

Foucault, M. (2000) O que são as Luzes? Arqueologia das ciências e história dos sistemas de pensamento. Ditos e escritos II. (E. Monteiro) (PP. 335-351) Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Original publicado em 1984).

Foucault, M. (2003a). Inquirição sobre as prisões: quebremos a barreira do silêncio. Estratégia poder-saber. Ditos e Escritos IV. (V. Ribeiro, Trad.) (pp.. 6-12) Rio de Janeiro: Forense Universitária (Original publicado em 1971).

Foucault, M. (2003b). Mesa redonda de 20 de maio de 1978. Estratégia, Poder-Saber. (V. Ribeiro, Trad.) (pp. 335-351) Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Original publicado em 1980)

Foucault, M. (2004a). A escrita de si. In M. B. Motta (Org.), Ética, sexualidade, política. (E. Monteiro e I. Barbosa, Trad.). (pp. 144-162) Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Original publicado em 1984)

Foucault, M. (2004b). Foucault. In M. B. Motta (Org.), Ética, sexualidade, política. (E. Monteiro e I. Barbosa, Trad.). (pp. 234-239) (Original publicado em 1984) Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Original publicado em 1984)

Foucault, M. (2004c). O cuidado com a verdade. In M. B. Motta (Org.), Ética, sexualidade, política. Ditos e escritos V. (E. Monteiro e I. Barbosa, Trad.) (pp. 240-251) Rio de Janeiro: Forense Universitária (Original publicado em 1984).

Foucault, M. (2004d). A ética do cuidado de si como prática da liberdade. In M. B. Motta (Org.), Ética, sexualidade, política. Ditos e escritos V. (E. Monteiro e I. Barbosa, Trad.) (pp. 264-287) Rio de Janeiro: Forense Universitária (Original publicado em 1984).

Foucault, M. (2004e). Uma estética da existência. In M. B. Motta (Org.), Ética, sexualidade, política. Ditos e escritos V. (E. Monteiro e I. Barbosa, Trad.). (pp. 288-393) Rio de Janeiro: Forense Universitária (Original publicado em 1984)

Foucault, M. (2004f). Verdade, poder e si mesmo. In M. B. Motta (Org.), Ética, sexualidade, política. Ditos e escritos V. (E. Monteiro e I. Barbosa, Trad.). (pp. 294-300) Rio de Janeiro: Forense Universitária (Original publicado em 1984)

Foucault, M. (2008). Segurança, território, população. (E. Brandão, Trad.). São Paulo: Martins Fontes (Original publicado em 2004).

Foucault, M. (2010). É importante pensar? In M. B. Motta (Org.). Repensar a política. (A. Pessoa, Trad.) (pp. 354-358) Rio de Janeiro: Forense Universitária, (Original publicado em 1981).

Foucault, M. (2011a) A cena da Filosofia. In: M. B. Motta (Org.), Arte, epistemologia, filosofia e história da medicina. Ditos e escritos VII. (V. Ribeiro, Trad.) (pp. 222-247) Rio de Janeiro: Forense Universitária (Original publicado em 1978)

Foucault, M. (2011b) A extensão social da norma. In: M. B. Motta (Org.), Arte, epistemologia, filosofia e história da medicina. Ditos e escritos VII. (V. Ribeiro, Trad.) (pp. 394-398) Rio de Janeiro: Forense Universitária (Original publicado em 1978)

Foucault, M. (2012) Vão extraditar Klaus Croissant? Segurança, penalidade e prisão. Ditos e escritos VIII. (V. Ribeiro; I. Barbosa, Trad.) (pp. 95-100) Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Original publicado em 1977)

Foucault, M. (2014) Wrong-Doing, Truth-Telling: the function of avowal in justice. Chicago: University Chicago Press.

Foucault, M. (2016). Subjetividade e verdade. (R. Abílio, Trad.). São Paulo: Martins Fontes (Original publicado em 1981).

Geertz, C. (2001) Nova luz sobre a antropologia. (V. Ribeiro, Trad.) Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Laperrière, A. (2010). Os critérios de cientificidade dos métodos qualitativos. In J. Poupart et al. (Eds.) A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. 2ª ed. (A. Nasser, Trad.) (pp. 410-435) Petrópolis: Vozes.

Lorenzini, D. (2016) Foucault, regimes of truth and the making of subjects. In Cremonesi, L. et al. (eds.) Foucault and the making of subjects. (pp. 63-75) Londres: Rowman & Littlefield.

Senellart, M. (2014) O cachalote e o lagostim. Reflexão sobre a redação dos Cursos no Collège de France. In Artières, P. et al. (org) Michel Foucault (A. Chiquieri, Trad.) (pp. 121-128) Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Smith, D. (2015) Foucault on ethics and subjectivity: “care of the self” and “aesthetics of existence”. Foucault Studies. 19, p. 135-150.

Stival, M. (2015) Política e moral em Foucault: entre a crítica e o nominalismo. São Paulo: Edições Loyola.




DOI: https://doi.org/10.22456/2238-152X.76339

logogoogle
Scientific Electronic Library Online     

           

 

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional

 

ISSN eletrônico: 2238-152X