Crianças e Adolescentes com Condições Crônicas Falam Sobre Saúde

Barbara da Silveira Madeira de Castro, Martha Cristina Nunes Moreira, Ana Maria Szapiro

Resumo


Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa realizada com crianças e adolescentes com condições crônicas complexas internados em um hospital de referência localizado no município do Rio de Janeiro. O objetivo do estudo foi investigar os sentidos atribuídos por estas crianças e adolescentes à ideia de saúde. 

Como metodologia foi utilizada a perspectiva etnográfica. A observação participante e diferentes abordagens lúdicas foram utilizadas de modo a possibilitar a expressão das crianças e dos adolescentes garantindo, assim, o protagonismo deles como sujeitos da pesquisa.

Ao longo do estudo ressaltou-se nas crianças sobretudo a capacidade normativa destas, capacidade a que se refere à Georges Canguilhem (1978) em sua obra “ O Normal e o Patológico” que encontramos presente em todas as circunstâncias do adoecimento como modos de lidar com as difíceis situações de sofrimento inerentes às condições crônicas.


Palavras-chave


criança; adolescente; saúde; condição crônica; capacidade normativa.

Texto completo:

PDF

Referências


Bakhtin, M. (2004). Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec.

Canguilhem, G. (1978). O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Czeresnia, D. (2003). O conceito de saúde e a diferença entre prevenção e promoção. Em: Czeresnia D. & Freitas C. M.(Orgs.), Promoção da saúde: conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Cohn, C. (2005). Antropologia da criança. Rio de Janeiro: Zahar.

Cohen, E., Kuo, D. Z., Agrawal, R., Berry, J. G., Bhagat, S. K. M., Simon, T. D. & Srivastava, R. (2001). Children with Medical Complexity: An Emerging Population for Clinical and Research Initiatives. Pediatrics, 127(3), 529-538.

Franco, J.R. (2000). De pequenino é que se torce o pepino: a infância nos programas eugênicos da Liga Brasileira de Higiene Mental. História, Ciênca, Saúde - Manguinhos, 7(1),135-157.

Freire, M. M. L. & Leony, V.S. (2011). A caridade científica: Moncorvo Filho e o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio de Janeiro (1899-1930). História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 18, p199-225.

Guell, C. (2003). Painful childhood: children with juvenile Arthrits. Qual Health Res, 17(7), 884-892.

Martins, A.P.V. (2000). Vamos criar seu filho: os médicos puericultores e a pedagogia materna no século XX. História, Ciência, Saúde - Manguinhos, 15(1), 135-154.

Mello, D.B. & Moreira, M. C. N.(2010). A hospitalização e adoecimento pela Perspectiva de crianças e jovens portadores de fibrose cística e osteogênese imperfeita. Ciência & Saúde Coletiva, 15(2),247-254.

Minayo, M.C.S.(2012). O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec.

Mollo-Bouvier, S. (2005). Transformação dos modos de socialização das crianças: uma abordagem sociológica. Educ.Soc., 26(91), 391-403.

Moreira, M.E.L. & Goldani, M.Z.(2010) A criança é o pai do homem: novos desafios para a área de saúde da criança. Ciência & Saúde Coletiva, 15(2),321-327.

Moreira, M.C.N. & Macedo, A.D. (2009) O protagonismo da criança no cenário hospitalar: um ensaio sobre estratégias de sociabilidade. Ciência & Saúde Coletiva, 14(2), 645-652.

Moreira, M.C.N; Souza, W.S. (2014). Corsaro WA. Sociologia da Infância. Porto Alegre: Artmed; 2011. Ciência & Saúde Coletiva, 20(1), 299-300.

Moreira, MCN. (2015). E quando a doença crônica é das crianças e adolescentes? Contribuições sobre o artesanato de pesquisas sob a perspectiva da sociologia da infância e da juventude. Em: M.E.P. Castellanos & L.A. Bomfim (Orgs.), Cronicidade: experiência de adoecimento e cuidado sob a ótica das ciências sociais (pp. 434-450). Fortaleza: Ed.UECE.

Organização Mundial de Saúde. Cuidados inovadores para condições crônicas: componentes estruturais de ação: relatório mundial. Brasília: OMS; c2002.

Pires, F. (2010) O que as crianças podem fazer pela antropologia?. Horiz. Antropol., 16(34)137-157.

Pires, S.F.S. & Branco, A.U. (2007). Protagonismo infantil: co-construindo significados em meio às práticas sociais. Paidéa, 17(38), 311-320.

Sanglard, G. & Ferreira, L.O. (2010). Médicos e filantropos: a institucionalização do ensino da pediatria e da assistência à infância no Rio de Janeiro da Primeira República. Varia hist., 26(44),437-459

Stewart, J.L. (2003) Getting used to it: children finding the ordinary and routine in the uncertain context of cancer. Qual Health Res, 13(3), 394-407.

Szapiro, A. (2005). Em tempos de pós-modernidade: vivendo a vida saudável e sem paixões. Estudos e Pesquisa em Psicologia, Rio de Janeiro, 5(1),8-24.

Tornquist, C.S. (2007). Vicissitudes da subjetividade: auto-controle, auto-exorcismo e liminaridade na antropologia dos movimentos sociais. Em A. Bonetti, A. & S. Fleischer. (Orgs.), Entre saias justas e jogos de cintura. Florianópolis: Ed. Mulheres.

Williams, B. (2009). I’ve never not had it so I don’t really know what it’s like not to: nondifference and biographical disruption among children and young people with cystic fibrosis. Qual Health Res., 19(10), 1443-55.




DOI: https://doi.org/10.22456/2238-152X.75890

logogoogle
Scientific Electronic Library Online     

           

 

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional

 

ISSN eletrônico: 2238-152X