BICICLETAS E LIBERDADE: DIALÉTICA, LIMIAR E AS DIMENSÕES SUBJETIVAS E POLÍTICAS DE DUAS OBRAS DE AI WEIWEI

Lucas Oliveira Alves, Ana Lúcia Mandelli Marsillac

Resumo


Este artigo analisa duas obras do artista contemporâneo Ai Weiwei: “Bicicletas Forever” e “Flores pela Liberdade”. Partindo dos conceitos de imagem dialética e de limiar de Walter Benjamin, bem como seus desdobramentos na teoria de Didi-Huberman em interlocução com a psicanálise freudo-lacaniana, este artigo reflete, por meio do método psicanalítico da leitura flutuante, sobre as obras como sintomas de um tempo, analisando suas dimensões subjetivas e políticas. Colocam-se em discussão as imagens e significantes das obras, falas e contingências do artista, assim como aspectos políticos da arte contemporânea presente em suas criações. As obras de Ai Weiwei estão em interlocução com diferentes tempos e espaços, contextos artísticos e políticos, proporcionando experiências dialéticas, liminares, anacrônicas e críticas, abrindo brechas no autoritarismo e passagens para o desejo de liberdade e criação em um enlace singular entre artista e público.


Palavras-chave


psicanálise; arte; política; dialética; limiar.

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Autor (ano).

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DOI: https://doi.org/10.22456/2238-152X.104053

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