Articulações GAM em Santos e a partir de Santos

Luciana Togni de Lima e Silva Surjus, Roberta Regina Castellano Linhares, Ana Maria Thomé, Beatriz Cesar Lauria, Erika Marinheiro Pereira

Resumo


Neste artigo compartilhamos reverberações de uma experiência formativa na cidade de Santos, em São Paulo, e da articulação de um Observatório Internacional de Práticas de Gestão Autônoma da Medicação (GAM), com vistas à produção de estratégias emancipatórias e libertárias em saúde mental. Nos últimos anos, novas ações de cuidado baseadas no paradigma da Atenção Psicossocial vêm sendo propostas sem, entretanto, serem acompanhadas de forma a evidenciar suas potencialidades e limitações no cotidiano dos serviços. A partir de metodologia participativa e colaborativa, percebemos que a formação para a GAM traz materialidade aos princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, possibilitando aos trabalhadores um exercício radical de problematização de aspectos sutis e pouco incorporados em suas práticas, convocando a um percurso a ser feito junto dos usuários. Especificamente, junto a pessoas com problemas com drogas, ressaltamos a inseparabilidade do debate sobre as drogas prescritas e não prescritas, presente nas experimentações e buscas pelo prazer, pelo alívio da dor, pela construção de lugar nas relações de consumo, e pela reinvenção de possíveis. Acreditamos que o Observatório GAM viabilizará a difusão da incidência da GAM sobre as diferentes das práticas manicomiais do contemporâneo, necessariamente, medicalizantes.


Palavras-chave


saúde mental; medicalização; autonomia; Gestão Autônoma da Medicação (GAM)

Texto completo:

PDF

Referências


Assis, J. T., Barreiros, C. A., Jacinto, A. B. M., Kinoshita, R. T., Macdowell, P. L., Mota, T. D., Nicácio, F., Schorn, M. C., Souza, I. S.,& Trino, A. T. (2014). Política de saúde mental no novo contexto do Sistema Único de Saúde: regiões e redes. Divulgação em Saúde Para Debate, 52, 88-113. Recuperado em 31 de julho de 2019, de http://bvsms.saude.gov.br/edicoes-2015/is-n-01/375-saude-mental

Brasil. (1998).Portaria nº 3.916, de 30 de outubro de 1998. Dispõe sobre a aprovação da Política Nacional de Medicamentos. Recuperado em 31 de julho de 2019, de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/prt3916_30_10_1998.html.

Brasil. (2010). Ministério da Saúde.Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.Metodologia de Educação entre pares. Adolescentes e jovens para educação entre pares. Saúde e prevenção nas escolas. Brasília: Editora do Ministério da Saúde. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/metodologias.pdf.

Brasil. (2018). Portaria GM nº 3.733, de 23 de novembro de 2018. Estabelece o elenco de medicamentos e insumos da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União 2018. Recuperado em 31 de julho de 2019, de http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51521075.

Castillo-Salgado, C. (2015). Developing an academia-based public health observatory: the new global public health observatory with emphasis on urban health at Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health. Cadernos de Saúde Pública, 31(Supl. 1), 286-293.

Fegadolli, C. V., Niurka, M. D. V.,&Carlini, E. L. A. (2019). Uso e abuso de benzodiazepínicos na atenção primária à saúde: práticas profissionais no Brasil e em Cuba. Cadernos de Saúde Pública,35(6).

Figueiredo, A. C. D. (2015). Consumo e gastos com psicotrópicos no sistema único de saúde no estado de Minas Gerais: análise de 2011 A 2013. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Universidade de Brasília, Brasília, DF.

Freire, P.,& Nogueira, A. (1989). Que Fazer. Teoria e Prática em Educação Popular.Petrópolis, RJ: Editora Vozes.

Hemels, M. E., Koren, G.,&Einarson, T. R. (2002). Increased Use of Antidepressants in Canada: 1981–2000 [Resumos]. Em Annals of Pharmacotherapy. 36 (9), 1375-1379. https://doi.org/10.1345/aph.1A331

Kinoshita, R. L. T. (2009). Saúde Mental e a Antipsiquiatria em Santos: vinte anos depois. Caderno Brasileiro de Saúde Mental. 1(1), 223-231.

Liu, H.Y., Kobernus, M., Broday, D.,&Bartonova, A. (2014). A conceptual approach to a citizens' observatory - supporting community-based environmental governance. Environmental Health, 13, 107. Recuperado de https://ehjournal.biomedcentral.com/articles/10.1186/1476-069X-13-107

Lucchetti, G.,Granero, A. L., Pires, S. L., Gorzoni, M. L., &Tamai, S. (2010). Fatores associados ao uso de psicofármacos em idosos asilados. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 32(2), 38-43.

Maciel, K. F. (2011). O pensamento de Paulo Freire na trajetória da educação popular. Educação em Perspectiva, 2(2), 326-344.

Nicacio, M. F. S. (2003). Utopia da realidade: contribuições da desinstitucionalização para a invenção de serviços de saúde mental. Tese de Doutorado. Doutorado em Saúde Coletiva, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP.

Onocko-Campos, R.,& Furtado, J. P. (2008). Narrativas: apontando alguns caminhos para sua utilização na pesquisa qualitativa em saúde. Onocko-Campos, R. T., Furtado, J. P., Passos, E., &Benevides, R. (Orgs),Pesquisa avaliativa em saúde mental: desenho participativo e efeitos de narratividade(pp.321-334). São Paulo: Hucitec.

Onocko-Campos, R., Passos, E., Palombini, A.L., Santos, D.V.D., Stefanello, S., Gonçalves, L.L.M., Andrade, P.M., Borges, L.R. (2013) A Gestão Autônoma da Medicação: uma intervenção analisadora de serviços de saúde mental. Ciência & Saúde Coletiva, 18 (10), (pp.2889-2898).

Otanari, T. M. C., Leal, E. M., Onocko-Campos, R., Palombini, A. L.,& Passos, E. (2011). Os efeitos na formação de residentes de psiquiatria ao experimentarem grupos GAM. Revista Brasileira de Educação Médica, 35, 460-467.

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Resolução nº 01/2019 do CoEC, de 19 de setembro de 2019. Dispõe sobre a Política de Observatórios Unifesp. Disponível em: https://www.unifesp.br/reitoria/proex/images/PROEX/Edital_2019/19.09.19-Politica_Observatorios-Final.pdf. Acesso em: 18 fev 2020.




DOI: https://doi.org/10.22456/2238-152X.103710

logogoogle
Scientific Electronic Library Online     

           

 

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional

 

ISSN eletrônico: 2238-152X