v. 1, n. 2 (2010)

A Obra de J. M. Coetzee


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Este número da revista Philia&filia apresenta o dossiê sobre a obra de J. M. Coetzee, abrindo um espaço interdisciplinar de reflexão sobre a arte e as idéias do autor. As contribuições dos colegas de diferentes países iluminam sob ângulos diversos as relações dos romances com a ética, a política e a expressão artística na África do sul e no mundo.

J.M. Coetzee não é apenas mais um Prêmio Nobel de literatura. É também um pensador agudo da atualidade, e seu olhar crítico para outros escritores e pensadores surpreende pela precisão e por uma intuitiva generosidade. “Durante os anos que passei como professor de literatura, orientando jovens em excursões por livros que sempre significavam mais para mim do que para eles, eu me reanimava dizendo a mim mesmo que no fundo eu não era um professor, mas um romancista.” – diz Senhor C, o narrador-ensaísta do romance Diário de um ano ruim. O personagem que reflete, como todas as figuras de Coetzee, alguns traços autobiográficos do  autor. A posição híbrida – entre pensador e poeta – salta aos olhos quando o Senhor C continua: “Mas agora os críticos entoam um novo refrão. No fundo ele não é romancista, dizem, mas um pedante que se mete a fazer ficção.” (Diário de um ano ruim, p. 203)