Desde que eu não tenha que me transformar em uma pessoa melhor: O sem-sentido moral do Direito em Desonra de J.M. Coetzee

José Garcez Ghirardi

Resumo


Desonra, de J.M. Coetzee, pode ser lido como uma alegoria da falência da promessa de justiça implícita, de modos diversos, nos projetos da modernidade e da pós-modernidade. A jornada de David Lurie culmina em uma epifania inútil: é a brutalidade da força, velada ou explícita, que domina as relações humanas; e as instituições jurídicas são ora instrumentais para essa violência, ora impotentes para impedi-la. A primeira secção desse artigo, Eros, explora o sentido de justiça/injustiça presente no julgamento de David Lurie por seus pares na universidade. Na segunda, Caos, examina o mesmo tema de justiça/injustiça no tratamento jurídico-policial dispensado ao estupro de Lucy. A terceira, O Casamento de Cronos e Harmonia, explora as respostas antagônicas que os personagens de David e Lucy oferecem à brutalidade crua de Cabo Leste e da Cidade do Cabo. A conclusão, Santo Hubert, procura sintetizar os argumentos apresentados e indicar por quê Desonra sugere uma leitura do Direito que o vê como incapaz de qualquer sentido moral relevante.  


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