Geologia do Granito Três Figueiras: magmatismo peraluminoso de 585 Ma no sudeste do Cinturão Dom Feliciano

Fernando Galvão KLEIN, Edinei KOESTER, Daniel Triboli VIEIRA, Rodrigo Chaves RAMOS, Carla Cristine PORCHER, Ruy Paulo PHILIPP

Resumo


O Granito Três Figueiras representa a única ocorrência de granitos peraluminosos no extremo sudeste do Cinturão Dom Feliciano, Rio Grande do Sul. Este tipo de granito pode conter informações importantes a respeito do ambiente tectônico e evolução tectônica e termal de um cinturão orogênico. O objetivo deste trabalho é a caracterização geológica do Granito Três Figueiras, com base em dados de campo, geologia estrutural, petrografia, geoquímica e geocronologia. O granito é cinza claro, composto por quartzo, K-feldspato, plagioclásio, muscovita, biotita (M’ 7-10), com granada, turmalina, zircão, monazita e apatita como minerais acessórios. É um granito sincinemático à Zona de Cisalhamento Arroio Grande, onde desenvolve uma trama milonítica com foliação tectônica subvertical com mergulho > 70° para SE e lineação de estiramento sub-horizontal marcada pelas micas e agregados estirados de quartzo e feldspato, com direção N80°E e caimento de até 10° para ENE, que demonstram o caráter transcorrente desta zona. As microestruturas e texturas indicam temperaturas de deformação de pelo menos 550°C e cinemática dextral para esta zona de cisalhamento. O granito é classificado como peraluminoso, com teores de A/CNK entre 1,07 e 1,21 e coríndon normativo entre 1,2 a 3 %. Possui altos teores de SiO2, Al2O3, álcalis, e baixos teores de FeO, MgO e TiO2. Apresenta correlação negativa para a maioria dos elementos maiores, o que indica que o principal processo de evolução magmática foi cristalização fracionada. Uma fonte homogênea é sugerida a partir da relação entre elementos traços e ETR. Com a datação U-Pb se obteve uma idade de cristalização magmática de 585 ± 16 Ma, que registra um importante evento de fusão crustal para o extremo sudeste do Cinturão Dom Feliciano.

Palavras-chave


Petrologia; Geoquímica; U-Pb;SHRIMP

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DOI: https://doi.org/10.22456/1807-9806.88646

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