Avaliação de Oligochaeta (Tubificinae) e Polychaeta (Namalycastis abiuma) como bioindicadores da composição isotópica de Chumbo: exemplo do estuário guajarino, Belém (PA), Brasil

Simone P. OLIVEIRA, Candido A. V. MOURA, José S. ROSA FILHO

Resumo


A composição isotópica de chumbo foi determinada em amostras de organismos bentônicos, representantes das classes Oligochaeta e Polichaeta, e sedimentos de fundo, ambos coletados na baía do Guajará (Miramar e canal do Una) e rio Guamá (Igarapé Tucunduba), objetivando comparar a assinatura isotópica do chumbo nos organismos e nos sedimentos, e identificar a adequabilidade desses organismos como bioindicadores da contaminação dos sedimentos por esse metal. Desse modo, foi empregado um procedimento que consistiu em dividir os valores das razões 206Pb/204Pb, 207Pb/204Pb, 208Pb/204Pb e 207Pb/206Pb determinados nos organismos, pelos valores dessas razões encontradas nos sedimentos. Para o quociente resultante (R) foi adotado o valor de tolerância de 1± 0,004 (0,996 ≤ R ≤ 1,004) para indicar a similaridade entre as composições isotópicas do chumbo dos organismos e do sedimento de fundo. Em 75% das amostras biológicas os valores de R (0,997 ≤ R ≤ 1,003) ficaram no intervalo aceitável. Apenas as amostras de Oligoquetas coletadas próximo à desembocadura do canal Una apresentaram valores fora do intervalo indicado (1,001 ≤ R ≤ 1,017). Esse desvio pode ser atribuído a uma contribuição antropogênica recente no local de coleta, registrado pela presença de emulsão asfáltica na porção superficial do sedimento. Nessas condições, sugere-se que os organismos analisados não registram mudanças súbitas na composição isotópica do chumbo em seu habitat devido, provavelmente, ao lento processo de acumulação do metal em seus tecidos. No entanto, os dados confirmam a hipótese de que esses organismos são bons bioindicadores, podendo ser aplicados como uma matriz alternativa em estudos ambientais com isótopos de chumbo.

Palavras-chave


sedimento de fundo; isótopos de chumbo; rio Guamá; baía do Guajará; bioindicador

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DOI: https://doi.org/10.22456/1807-9806.43077

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