Paleoecologia do sistema Pinguela-Palmital-Malvas, Holoceno da Bacia de Pelotas, RS, Brasil: uma abordagem focada na utilização de análises multivariadas para obtenção de diatomáceas paleoindicadoras

Guilherme HERMANY, Paulo A. SOUZA, Lezilda C. TORGAN

Resumo


No Brasil, o potencial paleontológico das diatomáceas ainda é pouco explorado.Para a Planície Costeira do Rio Grande do Sul, o papel suplementar das diatomáceas nos estudos paleoecológicos efetivados torna-se manifesto em função do inexpressivo número de espécies citadas. Além disso, no que tange ao processamento dos dados nestes estudos, a definição de intervalos fundamentou-se em critérios subjetivos. Uma pesquisa foi desenvolvida visando reconstituir os sucessivos paleoambientes do sistema lacustre Pinguela-Palmital-Malvas na porção emersa norte da Bacia de Pelotas, durante o Holoceno, a partir de 89 amostras do testemunho de sondagem PM-RS-D01 com 4,87 m de profundidade total, com base em diatomáceas. Maior objetividade dentro deste enfoque foi obtida pela definição de espécies indicadoras de conjuntos de unidades amostrais oriundos de níveis de particionamentos significativos em análises de agrupamento. Os resultados demonstraram que, entre 4.600 ±70 anos AP e 3.950 ± 70 anos AP, ocorre alternância entre estratos compostos pela preponderância de espécies mixohalinas e intervalos caracterizados pela supremacia de espécies dulciaqüícolas em um contexto transgressivo; os registros determinados por Actinocyclus normanii refletem períodos de clima mais seco, quando o volume de água doce drenado para a bacia era menor e a evaporação mais intensa. De forma inversa, Aulacoseira cf. agassizii determinou o esclarecimento de etapas de incremento do afluxo lótico por variação positiva do regime pluviométrico. Após 3.950 ± 70 anos A.P., alterações sedimentológicas e bióticas significativas como o estabelecimento de fácies com predomínio de areia e a maior diversidade e abundância de vestígios de espécies perifíticas, caracterizam o início do processo de regressão holocena da Planície Costeira gaúcha. A manutenção da coerência das interpretações paleoambientais obtidas, quando confrontadas a estudos pregressos, e a detecção de processos originais para a região, assinalam a eficiência dos procedimentos estatísticos empregados baseados no estabelecimento de agrupamentos significativos e destaque a espécies reguladoras destes particionamentos.

Palavras-chave


Holoceno; planície costeira; Rio Grande do Sul; análises multivariadas, diatomáceas fósseis;

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DOI: https://doi.org/10.22456/1807-9806.40833

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