A jazida de bentonita de Bañado de Medina, Melo, Uruguai. Geologia, mineralogia e utilização tecnológica

Luiz D. ALBARNAZ, Norberto DANI, Milton L.L. FORMOSO, André MEXIAS, Nelson A. LISBOA

Resumo


O depósito de bentonita da região de Bañado de Medina, situado 18 km a sudoeste da localidade de Melo, no Uruguai, constitui a primeira ocorrência na região com potencial para exploração comercial. O objetivo deste trabalho é apresentar dados referentes à mineralogia, composição química, tipos de contaminantes e fatores de controle dos depósitos, bem como algumas propriedades tecnológicas deste material. Com base em 31 furos de sondagem, foi possível a delimitação de uma camada de bentonita que localizadamente possui uma espessura de até 6,6m. A descrição dos furos, juntamente com trabalhos de campo, permitiu estabelecer um depósito de bentonita limitado inferior e superiormente por camadas de arenito dentro da Formação Rio do Rasto (Permiano Superior da Bacia do Paraná). O depósito foi protegido dos processos erosivos posteriores num bloco tectonicamente rebaixado, definido regionalmente por estruturas tectônicas antigas do embasamento com direções NE e NW. A reserva medida nos 9,5 ha de área prospectados é de 580.000 t, sendo formada por uma camada contínua de bentonita com cobertura de arenito/siltito da ordem de 1,60m até 11,60m de espessura. A bentonita Bañado de Medina resulta dos eventos finais do Membro Serrinha da Formação Rio do Rasto (Membro Vila Viñoles da Formação Yaguari, na nomenclatura uruguaia). De acordo com a textura, estruturas sedimentares e cor, a camada de bentonita foi dividida em quatro unidades. A determinação da mineralogia por difratometria de Raios-X mostra a predominância de esmectita dioctaédrica cálcica seguida de quartzo e feldspato, por vezes como minerais traços. Os resultados químicos indicam uma esmectita com baixo teor em Fe3+ e com cerca de 76% da carga interfoliar proveniente da substituição em nível octaédrico de Al3+ por Mg2+, classificando-se como uma Al-montmorilonita. Foi avaliada a capacidade de troca de cátions (valores medidos entre 101 e 116 meq/100g) e sua relação com domínios 2EG, 1EG e 0EG. A montmorilonita com grande predominância é a do tipo baixa carga (2EG). Seu uso tecnológico foi testado para aplicação em moldes de fundição e como fluido de perfuração. Os resultados apontaram índices adequados de estabilidade térmica, inchamento e resistência à tração a úmido, quando ativada com 5% de carbonato de sódio


Palavras-chave


bentonita; montmorilonita; gênese;aplicação tecnológica; Uruguai

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DOI: https://doi.org/10.22456/1807-9806.17838

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