Da conquista de reinos lendários ao naufrágio do olhar: considerações sobre a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto

Daniel Vecchio Alves

Resumo


Na imaginária alvorada de uma nova idade do conhecimento, outros relatos de espaços e gentes desconhecidas se intensificaram no Renascimento, além dos cronistas: são os autores da chamada literatura de viagens. Nessa literatura que se aperfeiçoa com os séculos de expansão ultramarina, fica evidente que o sentido da visão e sua capacidade nata de observar são cada vez mais determinantes para que elementos narrativos e técnicos sejam elaborados e representados. No geral, o discurso das descobertas se organizou em função de dar notícias do que se viu. Porém, veremos com a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto que nem sempre esse sentido comandou o ritmo da escrita e ditou o real, prolongando no espaço do relato de viagem as tensões geradas por um desconcerto de mundo, algo similar a um transtorno mental e discursivo. Levando em conta a celebração dos 400 anos da primeira edição do livro em 2014, e fazendo uma breve consideração sobre a sua trajetória crítica desde então, o presente estudo aborda a dimensão narrativa de seu autor e a fascinante atualidade de seus temas.

Palavras-chave


Viagem; Olhar; Narrativa.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.84744

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul