Colonialidade e universalidade na formação do cânone e o caso de Os Sertões

Rodrigo Octávio Cardoso

Resumo


As tentativas de organização de um cânone literário brasileiro, principalmente através das diversas Histórias da Literatura, justificam-se, frequentemente, por um critério estético-formal de gosto, embora, contraditoriamente, como vêm demostrando muitos críticos da formação do cânone, um dos critérios principais tenha sido antes uma noção de representação da nacionalidade. Tanto no primeiro caso, quanto no segundo, os críticos responsáveis pela Histórias da Literatura, organizam suas propostas de cânone segundo uma perspectiva colonial, patriarcal e etno-eurocêntrica, derivada, em grande parte, de uma absorção do universalismo humanista da estética kantiana e do historicismo idealista e teleológico da estética hegeliana, informados pela perspectiva nacionalista do romantismo. A essas linhas que orientam as canonizações tradicionais, de Sílvio Romero e José Veríssimo a Antonio Cândido e Alfredo Bosi, que excluem largamente a produção de mulheres, indígenas, negros, militantes políticos e pobres, podem-se opor duas perspectivas distintas, mas não necessariamente excludentes: a crítica pós-estruturalista e suas releituras da marginalidade, e a crítica pós-colonial e seu deslocamento de critérios para englobar vozes previamente excluídas. Observando possíveis dificuldades tanto de uma quanto de outra crítica, procuro fazer uma leitura estratégica de Os Sertões, de Euclides da Cunha, problematizando o seu lugar no cânone.

Palavras-chave


Cânone, Gosto, Catacrese, Os Sertões

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.77760

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul