Violência, imagem e linguagem na poesia de Alberto da Cunha Melo

Renato Nésio Suttana

Resumo


Algumas manifestações contemporâneas da poesia brasileira têm sido marcadas profundamente por imagens de violência física e psicológica. O objetivo do presente artigo é investigar essa temática, abordando-a a partir de indicações encontradas na obra de Alberto da Cunha Melo. Percebendo que a violência se manifesta ali como uma constante, buscaremos compreender de que maneira as temáticas da opressão e da sujeição do outro se exprimem em suas imagens. Deparamo-nos, na obra, de modo geral, com um imaginário que revela a ideia da opressão e submissão do outro como elemento constituinte das relações sociais, opressão que se exerce também no plano da subjetividade e do simbólico. A série de poemas de cunho narrativo intitulada Yacala descreve, em linguagem contida e incisiva, o processo de destruição de um indivíduo por forças naturais (a doença que o consome internamente) e sociais (o processo de marginalização a que ele, dadas as suas origens e a sua trajetória de vida, é brutalmente submetido). Ao mesmo tempo, exprime o drama de um sujeito que resiste à destruição, mas que a qualquer momento pode sucumbir frente a ela.

Palavras-chave


Violência; Imagem; Poesia contemporânea; Alberto da Cunha Melo

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.76602

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul