Ali, longe de onde a vista ou os ouvidos alcançam: sobre loucura e literatura da urgência em Lima Barreto, Maura Lopes Cançado, e Stela do Patrocínio

Rosângela Lopes da Silva

Resumo


Aportado em uma abordagem foucaultiana, este estudo analisa a relação palavra e silêncio e a urgência da escrita, defendida por Luciana Hidalgo como singular às escritas de si que nascem no confinamento, nas narrativas Diário do Hospício (1956), de Lima Barreto (1881-1922), Hospício é Deus: diário I (1965), de Maura Lopes Cançado (1929-1993) e Reino dos Bichos e dos animais é o meu nome (2001), de Stela do Patrocínio (1941 – 1997), as quais foram escritas em diferentes momentos da história que acompanha o primeiro hospício brasileiro, o Pedro II. Para tanto, embaso-me ainda nos estudos de Erving Goffman sobre instituições totais e estratégias de ‘mortificação do eu’, ou seja, de apagamento da subjetividade que antecede a internação, e nas discussões da indiana Gayatri Chakravorty sobre a possibilidade de o subalterno falar. Objetivou-se refletir que escrever, dentro de estruturas como essa, sobre si mesmo e sobre a condição das(dos) demais internos(as) é um ato insurgente que nasce sob o risco; seja o risco da morte, da loucura, da perda de si mesmo(a) que circunda a própria existência, seja o risco de esquecimento, de reprovação pública e familiar, de silenciamento e de deslegitimação que circunda a sua escrita.

Palavras-chave


Loucura; Literatura da Urgência; Lima Barreto; Maura Lopes Cançado; Stela do Patrocínio.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.76125

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul