Arquivos da memória: um passeio pelos espaços interditos de A misteriosa chama da rainha Loana, de Umberto Eco

Deborah Garson Cabral

Resumo


O presente artigo propõe um passeio na narrativa A misteriosa chama da rainha Loana, romance de Umberto Eco escrito em 2004, visando compreender alguns aspectos tratados pelo autor a partir da reconstrução da memória do protagonista Giambattista Bodoni, o Yambo, um desmemoriado sexagenário que buscará recompor sua memória a partir da revisitação dos espaços do passado de sua história. A partir dos estudos de Sigmund Freud e refletindo sobre como se constrói a memória individual e sua repercussão na reformulação das recordações permeadas pela memória coletiva, o que se busca é compreender como um indivíduo fragmentado, com sua memória autobiográfica esfacelada, conseguirá reconstruir o labirinto de sua mente em ruínas. Para tal empreitada, além de Freud, visitamos Maurice Halbwachs para compreender a manifestação da memória coletiva na construção da individual, além de refletir, também, sobre a questão do trauma, elemento presente na narrativa e amplamente discutido por Freud. A reverberação do tema da memória e seus desdobramentos se fazem presente na narrativa, perpassando sua temática e alcançando sua estrutura, que revela a adoção de espaços e ambientações que rementem à dificuldade de se reconstruir essa memória perdida, em busca de uma identidade danificada, de forma que esse personagem, tão cindido, possa reconstruir sua própria imagem frente ao espelho de sua vida.

Palavras-chave


Espaço; memória; identidade; trauma.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.75819

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul