A conquista do outro: Descobrir, conquistar, amar, conhecer ...

João Felipe Barbosa Borges

Resumo


Apesar do destaque na recepção crítica tanto nacional, quanto estrangeira, do escritor português Almeida Faria, evidenciada pelas inúmeras traduções e prêmios que seus romances receberam, sua obra é relativamente pouco estudada. Apenas para se ter uma dimensão do atual panorama de estudos portugueses, uma pesquisa no acervo da Biblioteca Nacional de Portugal , enquanto menciona setecentos e cinco registros para um autor como José Saramago, por exemplo, encontra apenas quinze registros para Almeida Faria. Evidencia-se, então, a necessidade de aprofundar os estudos sobre autor, visando preencher um acervo ainda lacunar no âmbito da Literatura Portuguesa Contemporânea. Nesse sentido, a partir da leitura do romance O conquistador, publicado em 1990, pelo escritor, busco, neste artigo, perscrutar aquilo que Tzvetan Todorov (2003) chamará “a questão do outro”, que não será relativa aqui à conquista da América, apesar de o romance recuperar, pelo diálogo com a história portuguesa, um universo tão imperialista quanto (das guerras empreendidas no norte de África pelo rei D. Sebastião); tratará, outrossim, da conquista do outro, em especial do corpo feminino, sugerindo que o caminho para a conquista e o conhecimento, não está na guerra, mas no amor. E é por advogar em favor do amor como método de conhecimento que, neste artigo, elejo um viés ensaístico em detrimento dos requisitos genéricos considerados apropriados pelo discurso acadêmico contemporâneo, ferindo as máximas de objetividade, distanciamento e impessoalidade do discurso científico tradicional. Talvez, ao final da leitura, o leitor entenda esta opção.

Palavras-chave


Literatura Portuguesa Contemporânea; Almeida Faria; O conquistador; Alteridade; Amor.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.74121

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul