A INCAPACIDADE DE NARRAR COMO FENÔMENO DE LINGUAGEM E DE SUBJETIVIDADE EM NADA DE NOVO NO FRONT, DE REMARQUE

PEDRO DOS SANTOS

Resumo


Resumo: O romance de Remarque exemplifica a incapacidade de narrar, nos termos de Benjamin, e seu protagonista possui as características principais do herói romanesco. O autor responde ao desafio de constituir uma narrativa de guerra, com base numa mimese realista, não naturalista, mas constituída por um relato em primeira pessoa e num tempo presente, em que o real do dizer coincide com o real narrado, na forma descrita pela teoria da enunciação de Émile Benveniste, que liga linguagem e subjetividade. Ao fim da leitura, vemos que na-da sobrou da idealização romântica do herói. O ponto de vista do vencido torna o seu paci-fismo mais humano; as personagens são retratadas com humanidade, mesmo os inimigos.
Palavras-chave: guerra de trincheiras; guerra na literatura; herói; incapacidade de narrar; subjetividade na linguagem.
Abstract: Remarque's novel exemplifies the incapability of narrating, according to Benja-min, and its protagonist has the main characteristics of novel’s hero. The author meets the challenge to make a narrative of war, based on a realistic mimesis, not naturalistic, but con-sisting of a first-person report in the present tense, in which the reality of saying coincides with the narrated reality, in the way described for Enunciation Theory of Émile Benveniste, which connects language and subjectivity. After reading, we see that nothing was left from romantic idealization of the hero. The viewpoint of the vanquished one makes its paci-fism more humane. The characters are portrayed with humanity, even enemies.
Keywords: hero; incapability of narrating; subjectivity in language; trench warfare; war in literature.

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.73212

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul