A impossibilidade do amor na poesia de Fernando Pessoa à luz da filosofia de Ortega y Gasset

Carina Marques Duarte, Cristina Catâneo da Silva

Resumo


Na obra de Fernando Pessoa o amor surge como a grande impossibilidade. Tal
impossibilidade está relacionada com sua falta de compenetração com a realidade, com o fato de
o poeta não conseguir apreender sua circunstância. Não apreendendo a circunstância, Pessoa não
se constitui enquanto indivíduo. Logo, não consegue responder ao outro. O estado amoroso é
caracterizado pelo empobrecimento da atenção, pelo abandono de si para ir em direção ao outro e
pela busca da perfeição do amado. Além disso, o individuo que ama sente a necessidade de
dissolver a sua individualidade na individualidade do amado e de absorver a individualidade do
amado na sua. Foi isto que Fernando Pessoa não conseguiu fazer ou, talvez, do que abdicou em
favor da sua obra.

Palavras-chave: circunstância; amor; intransitividade

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.4907

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul