O Poema sujo na operação expressiva do corpo

Marcia Bianchi

Resumo


Elaboro neste ensaio questões sobre a poesia de Ferreira Gullar, em particular o Poema sujo, valendo-me especialmente de uma filosofia do corpo - Merleau-Ponty – entrelaçada com a psicanálise – Lacan. A obra de arte é um sentido encarnado, por isso é preciso ser paciente e não pensar que o acesso a ela se dá no primeiro olhar. A obra dá a ver vários perfis, bem como a coexistência das partes da obra como um corpo físico, por isso não deve nos remeter ao sentimento pelo qual ela é vista em uma só vez. Refletida em si mesma, a obra de arte retira-se do mundo para fazer ver, de um modo novo, a carnalidade do mundo, a coisa em si, o cotidiano. Posto assim, a obra de arte é, antes de mais nada, um corpo, real ou imaginário, que funda sua imanência e faz suscitar um vasto conjunto de possibilidades na sua transcendência. Assim, a fala, o corpo, estabelecem uma relação fundante das essências das coisas que somente a arte torna possível. Para esta escrita, a relação fundante ocorre, em essência, no Poema sujo de Ferreira Gullar, no campo das pulsões, para que, dessa forma, talvez se possa desvelar e instaurar em cada coisa o que ela guarda de sensível, de salvo, de velado, um sagrado que escapa de uma definição.

Palavras-chave


: Ferreira Gullar; Poema sujo; corpo; pulsões

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.46896

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul