DOS VOLTEIOS DO VERBO À GRAFIA DO CORPO: O SAMBA DE RODA NO UNIVERSO DAS LETRAS

Ilmara Valois Bacelar Figueiredo Coutinho, Comissão Editorial Nau Literária

Resumo


Compreender a importância dos textos poéticos orais ou das grafias do corpo, na área de letras, pressupõe abarcar construções poéticas integrantes da arte performatizada, universo multissensorial e multidimensional, irredutível aos preconceitos ocidentais grafocêntricos ou ao limitado panteão dos gêneros eruditos. Nessa trilha, seguem as reflexões empreendidas no presente estudo, destinado a problematizar o lugar do samba de roda no universo dos estudos literários. Não no sentido de reivindicar sua inserção em qualquer cânone beletrista, mas de colocar questões acerca da existência de manifestações artísticas desterritorializadas em relação à compartimentalização racional moderna dos saberes. Trata-se de um estudo bibliográfico voltado a problematizar o papel das (não)palavras pertencentes aos conhecimentos arquivados na voz, no corpo, no movimento, reconhecendo que é enquanto obra de arte performática de encruzilhada (MARTINS, 2006) que o samba de roda efetiva sua apresentação na roda das “letras”. Performance é aqui entendida como o momento no qual se dá, de fato, a interação entre produtores e receptores, numa atualização que acontece conforme cada configuração situacional - conhecimento grafado na memória do gesto -, encontrando em Zumthor (2005; 2000; 1997; 1993) e Martins (2006) as bases teóricas que fundamentam as principais reflexões.

Palavras-chave


Samba de roda; Literatura; Performance

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.43396

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul