JOÃO GRILO: PÍCARO DO NORDESTE, JUSTICEIRO DO SERTÃO

João Evangelista do Nascimento Neto, Comissão Editorial Nau Literária

Resumo


Se João Grilo tem nacionalidade incerta, já que habita o imaginário popular em diversos países, é no sertão nordestino que encontra acolhida. Em 1948, João Ferreira de Lima lança o cordel Proezas de João Grilo. No texto, o personagem ganha nascimento, infância e adultez. A vida do personagem assemelha-se à de tantos sertanejos, e, por isso, em João Grilo, a picardia ganha ares requintados. Se o pícaro clássico age tão-somente para garantir o direito à vida, João Grilo alia tal necessidade com o mais puro prazer de burlar os outros. Desde a infância, aprendera a rir dos outros. João, em cada ato, torna-se exemplo e imagem de uma camada social abandonada à própria sorte. Cada vingança de Grilo é uma vingança do povo que representa contra os poderosos e emissários do governo. Rir das ações do pícaro não é somente aprender a rir da sua própria situação, mas também crer que é possível vencer o nobre, sendo plebeu; subjugar o forte, sendo fraco; dominar o rico, sendo pobre. As atitudes de João Grilo diminuem o fosso entre os mais necessitados e os abastados. Sua luta é com as palavras. É a única arma que o humilde possui, sua voz. É certo que ela é fraca, quase inaudível aos ouvidos do poder constituído, mas, ainda assim, é uma palavra cortante, afiada, capaz de questionar, boa para insurgir contra os poderosos. É essa a arma de João Grilo. Este trabalho, pois, discute a construção da figura do João grilo, retratado nos folhetos como um justiceiro social, sua descrição física, psicológica, bem como a compreensão de seus atos enquanto meio de insubmissão das classes subalternizadas diante das injustiças que lhe são acometidas. E é por intermédio das palavras de teóricos como Zumthor (1993), Haurélio (2010), e Araújo (1992) que o discurso do Amarelo é ouvido, questionado, proferido, analisado.

Palavras-chave


Grilo; Cordel; Pícaro; Vingador; Nordeste.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.43373

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul