TAUTOLOGIA DA XILOGRAVURA DE CORDEL: ORALIDADE, TEXTO E IMAGEM

Ênio Chaves Monteiro, Vera Pires, Comissão Editorial Nau Literária

Resumo


A presente comunicação objetiva tecer reflexões a respeito da herança tautológica visual medieval, presente nas xilogravuras do cordel nordestino. A representação gráfica simples e os textos, muitas vezes rimados do cordel, são versões de figurações da idade média, preservadas pela igreja em forma de herança cultural, quando a mesma usava da iconoclastia cristã (seja ela pictórica, escultórica ou gráfica) para arrebanhar fiéis, tornando-a fonte de arrebatamento e para fazer tementes os iletrados. A xilogravura, como parte da poética literária nordestina, torna-se tautologia do texto escrito, transcendendo seu estatuto gráfico e recontando a história ali gravada, cativando leitores de menor fluência cultural. Além de subverter a condição estabelecida por uma sociedade desigual, que priva o acesso aos meios de comunicação escritos, essa xilogravura possui função originária instigadora da visualidade e da oralidade. A partir dos estudos, Idelette Muzart-Fonseca dos Santos, em Memória das Vozes: cantoria romanceiro e cordel (2006), a autora descreve como a técnica de se gravar imagens em relevo sobre madeira se transcreveu da Europa para o nordeste brasileiro, podendo-se tecer um histórico dessa linguagem. Galvão (2001) atenta que a força estética da ilustração das capas dos folhetos tem função não apenas de ilustrar, mas, também, de atrair o leitor dando pistas sobre o que vai ser tratado na obra. Tal força estética é fundamental para representar o texto de forma rápida revelando a importância da xilogravura como alvo de interesse pelos estudiosos da literatura.

Palavras-chave


tautologia; imagem; texto; oralidade

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.43354

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul