A Legitimidade presente no silêncio das palavras de Kaka Werá Jecupé

Bianca Basile Parracho, Comissão Editorial Nau Literária

Resumo


Todas as vezes que dissemos adeus, do indígena txucarramãe Kaka Werá Jecupé, é o ponto de partida, neste artigo, para refletir sobre o percurso da autenticidade de obras como essa, de autores marginalizados, muitas vezes silenciados e deslegitimados pela academia. A universidade deveria ser um espaço capaz de integrar o conhecimento à realidade dos atores sociais, portanto, nessa direção, será discutido o papel da academia e dos intelectuais diante desses “outros tipos de conhecimentos e saberes” (MATO, 2004). A possibilidade de diálogo entre as “narrativas móveis” (WALTY, 2005) e o cânone literário nos mostra que uma está intrinsecamente ligada à outra, e que essa troca cultural é essencial. Nesse sentido, este trabalho traz à tona um dos pensamentos de Michel Foucault, quando ele afirma que a educação é capaz de manter ou de modificar o poder da apropriação dos discursos. A trajetória de Kaka Werá Jecupé relata esse entrecruzamento de culturas, representando uma busca de si e do outro. Na autobiografia do autor está presente, além da sua trajetória, uma forte crítica à mídia que muitas vezes transforma a cultura indígena em representações exóticas com fins sensacionalistas, como está claro no livro de Kaka Werá Jecupé. Um Brasil desconhecido por muitos brasileiros é relatado através da experiência do indígena txucarramãe e essa necessidade de falar para mais pessoas fez com que Kaka Werá investisse na escrita do português (e do inglês, já que a edição de Todas as vezes que dissemos adeus é bilíngue) para que pudesse mostrar seu povo. Para analisar esse ponto, remetemos ao que Pierre Bourdieu nomeou de “autorização” para falar, no que refere às condições sociais de produção e reprodução do discurso. O objetivo principal deste trabalho é levantar a discussão acerca do silenciamento de expressões literárias como Todas as vezes que dissemos adeus.

Palavras-chave


Kaka Werá Jecupé; Trocas simbólicas; Legitimidade; Academia.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.43337

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul