A literatura infantil e a infância em menino de engenho

Alaim Souza Neto, Geovana Mendonça Lunardi Mendes

Resumo


Este ensaio procura problematizar a relação e o potencial da narração e do brinquedo na infância à luz da obra Menino de Engenho de José Lins do Rego, como processos interventivos de caráter positivo para ser criança. O artigo está fundamentado em estudos bibliográficos, fazendo uma abordagem descritiva. No primeiro item, busca-se percorrer o caminho trilhado pela narração até a literatura infantil, este como fonte de apropriação da cultura e na cultura à criança. Entretanto, lastima Benjamin, o hábito de narrar foi sendo perdido até encontrar seu esfacelamento em virtude de uma perda de referências coletivas. Essa perda teria contribuído para o surgimento do romance no final do século XIX. No segundo item, a concepção de infância em Menino de Engenho é o que impulsiona o desenvolvimento do artigo, e tal movimento se dá por meio das relações acentuadas de “poder” do próprio menino de engenho sobre o moleque, as narrativas e a importância do brinquedo na infância, bem como, suas influências na personalidade da criança. A dinâmica da infância daquela época pode ser claramente percebida no livro Menino de Engenho. O último item enfatiza o cruzamento das narrações, brincadeiras, porcarias, depravações e sexo, que o menino de engenho vivencia com a ampla liberdade do latifúndio e na preocupação em “pôr limites”, a criança é encaminhada à escola para “correção” e “endireitamento”. Assim, problematiza-se a escola e o surgimento da ciberinfância.

Palavras-chave


Infância; Brinquedo; Narração

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.37009

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul