Caim: a psicologia de deus na obra de José Saramago

Guilherme Gutierres Suman

Resumo


O presente trabalho busca a representação da personagem divina em Caim, de José Saramago, a partir do plano psicológico e suas adequações em quadros patológicos. Deus, nesta releitura do Antigo Testamento, é refeito através de considerações que justificam a concepção da psique afetada e seu comportamento desviante, como a psicopatia, por exemplo, cuja interpretação permite a aplicabilidade de tais conceitos. Revela-se uma descaracterização do divino como uma presença menos mitológica e, portanto, mais planificada ao nível humano por possuir consciência psicanalítica. Ainda, por substanciar este coprotagonista, propositadamente, através de faculdades mentais passíveis ao entendimento: distanciado da fonte benevolente legada pela fé cristã. Saramago apresenta o criador no mesmo patamar decadente em que mostra a derrocada a sua criatura. Deus é cúmplice confesso e intelectual do crime bíblico de Caim.

Palavras-chave


Palavras-chave: Caim, Deus, Psicopatia, Saramago.

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DOI: https://doi.org/10.22456/1981-4526.31880

Revista Nau Literária | ISSN 1981-4526 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul